O líder espiritual do budismo tibetano Sakyong Mipham Rimpochê ensina meditação.
• O Caminho da Grande Perfeição
Passo-a-passo para silenciar a mente
MAIS CALMA PARA SUA VIDA, AUMENTO DA ENERGIA VITAL E BEM-ESTAR FÍSICO: ESSES SÃO ALGUNS DOS BENEFÍCIOS RECEBIDOS POR QUEM MEDITA TODOS OS DIAS. ALÉM DISSO, ESSA PRÁTICA AJUDA A ABRIR NOSSO CORAÇÃO PARA OS OUTROS E A BAIXAR O VOLUME DE NOSSAS PRÓPRIAS PREOCUPAÇÕES. SAKYONG MIPHAM RIMPOCHÊ, LÍDER DA LINHAGEM SHAMBHALA DO BUDISMO TIBETANO, ENSINA TODOS OS DETALHES DA TÉCNICA PARA VOCÊ.
TEXTO: LIANE CAMARGO DE ALMEIDA ALVES
SAKYONG MIPHAM RIMPOCHÊ pratica arco-e-flexa a cavalo, é mestre em caligrafia tibetana e conhece bem o idioma sagrado dos indianos, o sânscrito. Como líder espiritual da linhagem shambhala, recebe o tratamento de príncipe. Ao mesmo tempo, estudou em colégios ingleses, mora no Canadá e se sente à vontade no Ocidente. Essas duas influências opostas o tornam um grande mestre de meditação: ele conhece as dificuldades que uma pessoa comum pode ter enquanto medita, como também sabe de todos os recursos das tradições orientais para ajudá-la nesse processo. Aqui ele ensina os princípios de uma técnica básica, a shâmatha, que você pode praticar em casa. “As pessoas precisam compreender que a meditação não é só ficar parado e sentado por anos a fio. Meditamos para conhecer quem somos, a natureza real de nossos pensamentos e emoções”, diz ele. Para Sakyong, com essa prática podemos nos abrir para sentimentos como o amor e a compaixão. “Meditar ajuda a despertar nossa natureza mais essencial, que é amorosa e iluminada”, afirma com convicção. Existem vários tipos: de olhos abertos ou fechados, no claro ou no escuro, em posição sentada ou até caminhando. Elas podem incluir mantras (palavras sagradas), mudras (gestos sagrados) e visualizações. Mas, na tradição shambhala, começa-se com uma técnica básica, chamada de shâmatha (que significa “apoiando-se na calma”, em sânscrito). Acompanhe a seguir o passo-a-passo.
DEZESSETE PASSOS ORIENTADOS PELO MESTRE
1. Escolha um lugar calmo, onde você se sinta bem e confortável. É preferível que você medite sempre no mesmo espaço – o hábito ajuda você a manter a prática diária.
2. Se desejar, faça ao lado de um pequeno altar com imagens de sua devoção, cristais, flores e incenso. Mas, se você não tiver espaço para isso, não tem importância: sua prática não será prejudicada.
3. O melhor horário para fazer a meditação é logo ao acordar, depois da higiene matinal e antes do café da manhã. Logo cedo, a mente está mais calma. Nos momentos que antecedem, procure deixar suas preocupações de lado e, principalmente, evite pensar nos compromissos do dia. Agora é hora de silenciar e ganhar energia.
4. Sente-se numa cadeira com as costas retas ou numa almofada mais dura com as pernas cruzadas, se tiver acostumado a isso. Ajuste o corpo e tente ficar relaxado.
5. Procure ficar com a coluna reta, sem forçá-la. Assim as energias circulam corretamente em todo o corpo. No Oriente, o ser humano é considerado uma ponte entre o céu e a terra e o bom posicionamento da coluna facilita a conexão entre as energias celestes e terrestres.
6. Encaixe a cabeça no topo da coluna. Traga o queixo um pouco para trás de modo que a cabeça fique em linha reta, nem inclinada para a frente nem jogada para trás. Deixe a língua relaxada na boca, com a ponta atrás dos dentes inferiores. Coloque as mãos, bem soltas, sobre as coxas.
7. Olhe para um ponto no chão a cerca de 1,50 m a sua frente. A visão deve ficar imóvel. Uma das maneiras de tranqüilizar a mente é dar a ela um objeto de atenção fixo, como o olhar e a respiração. Nas meditações em grupo, um sininho ou um gongo anunciam o começo e o fim da prática. Em casa, ela começa quando você se sentir preparado para iniciá-la.