Elas sempre foram próximas. Mas e quando os afazeres da casa e do trabalho cismam em separálas? Daí, o jeito é encontrar um motivo para resgatar antigos elos. E isso pode ser feito pormeio de uma reunião para recitar poemas, uma noite para cozinhar nhoque ou um dia da semana para desvendar um museu. A seu modo, estas mulheres mostram o bem que a amizade faz.
ENCONTROS NO MUSEU
As jornalistas Ivy Farias, 26 anos, Renate Krieger, 27, e Ana Poletto, 26, se conheceram no terceiro semestre da faculdade, em 2002. Três anos depois, Ana se mudou para Toulouse, na França, e depois seguiu para Paris, onde também estava Renate. As duas se reencontraram e, por essas coincidências de difícil explicação, Ivy também foi para lá. No dia seguinte a sua chegada, Renate comemorava seu aniversário e as amigas festejaram com um piquenique no Champs des Mars, aos pés da Torre Eiffel.

Esse primeiro encontro seria sucedido por outros, todas as quartas-feiras, no Museu do Louvre. “Freqüentamos o museu durante seis meses, tempo em que moramos em Paris. Hoje, ele faz parte de nossa vida não só pelas grandes obras mas também pelas conversas e pelos momentos que tivemos ali”, avalia Ivy.
No fim de 2005, Ivy voltou para o Brasil, Renate foi para a Alemanha e Ana ficou em Paris. “No dia da minha despedida, Ana me deu um porta-retrato de Paris. Quando eu voltei para São Paulo, foi um dos primeiros objetos que tirei das caixas. Mandei imprimir a foto que tiramos na Torre Eiffel e enviei uma cópia para cada uma. Hoje, nós três temos a mesma foto num lugar de destaque em casa, seja lá onde ela for”, emociona-se Ivy. Há poucos meses, aliás, ela recebeu um postal de Ana em que está escrito: “O Louvre não tem o mesmo encanto sem as amigas”.
RECITAL LÁ EM CASA
Cinco amigas e uma paixão em comum: a arte. Esse foi o ponto de partida para reuniões para lá de encantadoras. Em 2006, durante as férias no litoral paulista, as irmãs gêmeas Vanessa Damo Orosco e Vanélli Doratioto Damo, ambas de 26 anos, passaram a se reunir com as amigas Regina Orosco, 47, Raquel de Souza, 22, e Rosângela Rodrigues Bertucci, 38, para ouvir música, ler contos e falar de arte e cinema.
Os encontros eram tão inspiradores que se estenderam e acontecem até hoje, semanalmente ou a cada 15 dias, na casa de Vanessa, que é boa em recitar poemas, segundo as amigas. “Minha irmã e eu sempre escrevemos e lemos muito. Dessa forma, não foi difícil abrir um espaço na agenda para apreciar leitura de textos ou exposições de arte. Unimos, então, nossa afinidade e a de nossas amigas e resolvemos nos encontrar para trocar idéias”, conta Vanélli.
Papo vai, papo vem, tudo é sempre regado a vinho e a alguma comida especial, que é pedida por telefone – afinal, o dia das reuniões é exclusivo para as meninas se deliciarem com a cultura. Normalmente, Vanessa e Vanélli apresentam o que escreveram em voz alta para as amigas. Como todas sempre estão lendo algo, na seqüência das gêmeas, é a vez de as outras comentarem.
É isso e mais. Prendadas, elas mostram suas recentes “artes” e trocam figurinhas sobre técnicas de pintura em tela ou em peças de madeira. O grande mote é fazer o que se quer. E cada participante foca o encontro no que mais lhe dá prazer.