Um livro aberto para a vida
A PAISAGEM COMO ENREDO
O economista Mauro Fernandes de Brito e sua irmã, a jornalista Denise, todos os anos cumprem um ritual, criado por um tio há mais de duas décadas: no dia de Natal, eles sobem até o terraço da casa onde moram, que tem uma vista privilegiada do bairro paulistano de Pirituba, e fotografam o entorno. Segundo Denise, o prazer de guardar essas imagens vem do fato de que elas não mostram apenas as mudanças ocorridas no bairro – bosques, pomares e casarões que desapareceram para dar lugar a prédios, por exemplo –, mas evocam muitas emoções. “Ao rever as fotografias de um abacateiro enorme que havia numa rua próxima, sempre me lembro com carinho de cenas da minha infância, como o tombo que eu e meu irmão levamos ao subir nele e a algazarra que os passarinhos faziam toda tarde na copa da árvore”, diz. Detalhe: embora essa sessão de fotos seja feita numa data de festa em família, nas imagens os irmãos e seus parentes nunca aparecem. A paisagem reina sozinha – é ela quem conta a história.

A FAMÍLIA É UM BOM NEGÓCIO
Em 2003, quando o avô Renato de Rezende Barbosa, um grande industrial brasileiro, faleceu, o psicólogo Claudio Rezende e a família decidiram entrevistar diversas pessoas que o conheceram para tentar delinear, num filme, as facetas de sua personalidade: o homem empreendedor, o pai, o marido. “Meu avô era muito querido e logo surgiram muitas expectativas para que o registro ficasse pronto”, lembra Claudio. Passados dois anos, o documentário foi concluído e finalmente exibido. A iniciativa gerou bastante comoção entre parentes e amigos. “Hoje, até as gerações mais novas, que conviveram pouco com ele, sabem como foi sua vida, e isso é muito importante para nós”, diz.
Mas a história não parou por aí. Inspirado nessa experiência, Claudio se juntou a dois amigos, o administrador Vitor Motomura e o jornalista Cássio Waki, para criar a ID Familiar, uma empresa especializada em preservar a memória de famílias. Em funcionamento há um ano, a empresa realiza pesquisas e registra suas descobertas em livro, vídeo ou no que os sócios chamam de “caixa de memória”, uma espécie de dossiê com fotos, árvore genealógica e documentos de família. “Percebemos que, assim que o produto é mostrado às pessoas, as próprias relações familiares se modificam, laços que haviam se rompido são reatados e mágoas e ressentimentos ficam para trás, pois todos passam a valorizar os pontos positivos de sua história”, revela Vitor.


O livro Caminhos, escrito por Cássio Waki, conta a trajetória da família Miki – do Japão ao Brasil. A obra traça os desafios vencidos por ela.
< Volta Segue >





Copyright © 2007 Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados
Dúvidas sobre senhas e acesso ao site, veja aqui.
Para comunicar erros no site, por favor entre em contato.
Sugestões de pautas ou dúvidas sobre reportagens, por favor envie um email