Registrar acontecimentos por meio de palavras, fotos e desenhos é uma maneira de dar um novo significado a alguns aspectos da vida. Ao se expressar, tem quem ganhe mais confiança, tem quem reforce laços de afeto e há quem se desculpe. Aqui, mostramos diferentes histórias. São uma inspiração para você se lançar, quem sabe, em sua própria narrativa.
Quando a boca cala, o corpo fala. Quando a boca fala, o corpo sara. Eis um ditado que mostra, de forma simples, a importância de verbalizar o que sentimos e pensamos, pois o que não é expresso tende, mais cedo ou mais tarde, a afetar nosso bem-estar e até nosso estado de alma. Segundo o psicólogo Waldemar Magaldi Filho, professor da Faculdade de Ciências da Saúde de São Paulo, ao entrar em contato com seu colorido interior, dispondo-se a abrir e a contar suas experiências, sejam elas boas ou ruins, muito do que foi vivenciado pela pessoa se ilumina. “Narrando os fatos, percebemos que eles talvez não sejam tão negativos quanto pensávamos, que a raiva que alguém despertou em nós diminuiu, que o trauma que sofremos já não assusta tanto, que nossas vitórias foram mais importantes do que pareciam”, explica o especialista. Da mesma maneira, o que a princípio foi visto como algo trágico pode, com o passar do tempo, se revelar uma grande oportunidade de crescimento. “Isso é o que chamamos de re-significar, ou seja, atribuir um novo sentido às coisas”, completa.
O ato de falar sobre si mesmo é a base da psicoterapia, mas não é só no consultório que isso traz benefícios. Aliás, o simples fato de compartilhar as próprias idéias com alguém faz um bem danado. “E, se você não tem para quem falar, escreva”, recomenda Waldemar.
A ESCRITA COMO ESPELHO
“Escrever é uma arte mágica: quando você põe palavras no papel, num texto autobiográfico ou não, você se mostra para si mesmo e se compreende melhor”, diz a escritora Sonia Belloto. Autora de Você Já Pensou em Escrever um Livro? (ed. Ediouro) e agente literária, ela também coordena a Fábrica de Textos, uma escola situada em São Bernardo do Campo (SP) que oferece cursos de escrita criativa. Segundo Sonia, a ficção que os alunos produzem em geral tem como matéria-prima suas próprias vivências. E esse trabalho com o reino da imaginação às vezes lhes dá a chance de superar situações mal-resolvidas, como o caso de um rapaz que fora demitido do emprego porque o chefe se sentiu ameaçado por seu sucesso. “No conto que criou, esse aluno incluiu um personagem baseado no ex-chefe e, assim, se desforrou da injustiça que sofrera. Algo que nunca poderia fazer na vida real”, diz a escritora.
Um dos projetos que Sonia está tocando atualmente é coletar histórias escritas por mulheres que, em condições adversas, enfrentaram desafios sozinhas e saíram vitoriosas. Os depoimentos serão reunidos num livro. “O objetivo do projeto é fazer com que, por meio desses textos, as autoras organizem internamente suas experiências, se encantem consigo mesmas, valorizem a própria trajetória e a compartilhem com o público. Para os leitores, em especial as mulheres, as histórias de superação certamente serão inspiradoras”, completa Sonia Belloto.