Por uma medicina espiritual
Um dos maiores especialistas de medicina tibetana, doutor Pema Dorjee, estará no Brasil para o I Simpósio Internacional de Medicinas Tradicionais e Práticas Contemplativas, que acontece dias 5 e 6 de setembro, em São Paulo.
Texto: Ana Holanda
A saúde do corpo e da alma
O médico tibetano Pema Dorjee ensina que a saúde não é só uma questão restrita ao corpo. Suas idéias podem auxiliar a todos no encontro de uma vida mais plena, saudável e com novos significados.

Dorjee vem ao Brasil para participar do I Simpósio Internacional de Medicinas Tradicionais e Práticas Contemplativas, que acontece dias 5 e 6 de setembro, em São Paulo. O simpósio é aberto aos profissionais de saúde e além do doutor Pema, terá como convidados Bangalore Nanjundaiah Gangadhar, chefe do departamento de psiquiatria do National Institute of Mental Health and Neurosciences (Índia); e Shirley Telles, pesquisadora da Swami Vivekananda Yoga Research Foundation. O programa completo você confere no site do simpósio.

Veja, a seguir, os principais pensamentos de Pema Dorjee.

Texto: Liane Alves
Ilustrações: Mariana Coan
Foto: Stela Murgel/Unifesp
Ele tem um olhar firme e um aperto de mão generoso. Sua voz clara e seus conceitos revolucionários causaram impacto nos ouvintes atentos, que durante cinco dias acompanharam sua visão sobre o desenvolvimento de doenças e a recuperação da saúde. “Sempre quis conhecer o Brasil. É um prazer estar aqui”, diz. Autor de vários livros, como o recente Spiritual Medicine of Tibet (sem tradução para o português), hoje ele atua como conselheiro de pesquisa do Instituto Médico Tibetano, em Dharamsala, Índia. Sua vinda teve o apoio da Associação Palas Athena e resulta da carta de intenção assinada entre o reitor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e o dalai-lama, quando esse último visitou o país no ano passado.
Vale a pena conhecer um pouco do que a medicina inspirada no budismo tem a nos ensinar.
A DOENÇA SURGE PORQUE IGNORAMOS COMO A VIDA REALMENTE É
Segundo a medicina tibetana, há um modo distorcido de compreender a realidade. É uma ignorância, que caracteriza todos os seres humanos. Não compreendemos o que é a vida ou quem somos. Para escapar dessa falsa visão do mundo, precisamos saber o que nos prende ao sofrimento. Idéias errôneas podem nos fazer sofrer tanto que acabam por conduzir a estados de completo desequilíbrio mental, energético e físico.
A IGNORÂNCIA GERA VENENOS
O estado de não-compreensão dá origem a três sofrimentos, ou venenos, que podem causar desequilíbrios físicos, energéticos e mentais.

1. A primeira condição que nos leva ao sofrimento é o apego. Nasce basicamente de nosso olhar: vemos algo e imediatamente o desejamos. Se ansiarmos muito, vamos fazer de tudo para obter aquilo, e o estresse causado por isso é incrível. Além do mais, a frustração e a insatisfação gerada por não conseguir o que queremos também ocasionam o sofrimento e, com base nele, várias doenças. Todo um conjunto de sintomas pode ser identificado como excesso de apego. Na iconografia tibetana, o apego é representado por uma serpente animal que pode ser magnetizado por objeto ou som.

2. O segundo veneno, ou condição de sofrimento, é a raiva. Ela se manifesta quando sentimos nosso território invadido, quando somos insultados ou quando achamos que perderemos algo. O problema não é sentir um pouco de raiva de vez em quando, mas reagir com raiva e agressividade à maioria dos estímulos ou, pior, engolir a raiva. É importante identificar por que a sentimos, de onde surge. O animal que mais simboliza a raiva e a agressividade, segundo os tibetanos, é o galo.

3. O terceiro veneno é a estreiteza mental. Os tibetanos simbolizam a estreiteza mental por um porco, o animal que se chafurda no chão e que não tem horizontes amplos. Como no caso da raiva e do apego, todo um conjunto de doenças pode ser detonado por essa característica.

Segue >



Copyright © 2007 Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados
Dúvidas sobre senhas e acesso ao site, veja aqui.
Para comunicar erros no site, por favor entre em contato.
Sugestões de pautas ou dúvidas sobre reportagens, por favor envie um email