Para abrir caminhos, acredite na força dos guerreiros
Há horas em que os caminhos parecem travados. São pequenos nós que não desatam e nos fazem perder a direção. Conectar-se com o sagrado – orixás, divindades indianas e santos guerreiros – é uma forma de encontrar a serenidade e ultrapassar os obstáculos. Abre-se, assim, uma nova trilha.
Texto: Roberta De Lucca
Fotos: Lufe Gomes
Ilustrações: Cadu Riccioppo
Encarados como a ponte que nos liga ao divino, seres mitológicos, como são Jorge, Ogum e Ganesha, são cultuados pelo poder de descortinar as dificuldades e abrir caminhos. A chave para acessar essa força está na crença e na certeza de ter o pedido atendido. “A fé permite se conectar com a vibração da força invocada, abrindo espaço para sua manifestação na vida”, afirma Vagner Gonçalves da Silva, professor do departamento de antropologia da USP.
Portanto, pedir que o santo abra os caminhos é estar disposto a mudar, renovando ares, se entregando a novos desafios. “Quando invocamos essas divindades, é um momento de atenção e concentração, pois revela que o ponto em que estamos é resultado de nossas ações no passado e no presente”, afirma Meeta Ravindra, cantora indiana radicada no Brasil, que já gravou 13 CDs de cantos devocionais.
Para enfrentar essa empreitada, converse com esses emissários guerreiros em pequenos rituais: concentre-se no pedido e chame o sagrado para expandir seus horizontes e trazer a renovação a sua vida.
OGUM, PARA SITUAÇÕES DE MUDANÇA
Ogum detinha o conhecimento da forja do ferro. Era o único orixá que fazia espadas e ferramentas agrícolas – daí sua associação ao combate e à abertura de caminhos. “Para os devotos, ele resolve causas imediatas e atende a pedidos específicos para solucionar problemas”, explica Armando Vallado, doutor em sociologia pela USP e pai-de-santo.
Quem tem fé em Ogum acredita que ele, quando invocado, atende a solicitações objetivas para transformar a vida – seja mudar de país ou emprego. Questões de relacionamentos e pendências judiciais estão fora da alçada do guerreiro, que abre terreno para coisas novas, para a reestruturação do que se deseja renovar. Vale lembrar também que Ogum intercede só em favor de quem pede e não adianta pedir pelo outro. Como o dia desse orixá é terça-feira, é nela que os devotos costumam fazer pequenos rituais, como acender velas e tomar banho com ervas.
“Quando o pedido é atendido, os devotos costumam ajudar um morador de rua porque esse orixá protege os que vivem nessa condição”, afirma Vallado. Ele explica que na umbanda Ogum tem seu equivalente católico em são Jorge e santo Antônio (especialmente na Bahia).
A fotógrafa HELKA LU, 33 anos, acredita que sua força de superação para seguir em frente tem tudo a ver com o espírito guerreiro de Ogum. Helka se separou quando estava grávida e precisou tocar a vida com a responsabilidade de manter um bebê. “Pedi que Ogum me protegesse, desse força e confiança”, diz. Com a injeção de energia recebida, ela aumentou a renda doméstica apostando na criatividade para fazer bandeiras com imagens de divindades.


OGUM | GANESHA | SÃO JORGE

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