“O silêncio é o maior dos luxos”
TEXTO: WILSON F. D. WEIGL
REPORTAGEM: ROBERTA DE LUCCA

Saber usar as palavras é um talento que deu justificada fama à jornalista e apresentadora Mônica Waldvogel. Além de argumentar, perguntar e responder serem o coração de seu trabalho, ela ainda se considera tagarela. Aqui, ela comenta sua descoberta da importância de calar.

“No ano passado, participei de um retiro de meditação organizado pela Organização Brahma Kumaris, uma entidade internacional que prega os valores humanitários. Num dos dias, o exercício era não falar da manhã ao fim da tarde. Percebi como as palavras, tão caras para mim, podem ser desnecessárias e encobrir sentimentos profundos. Só nos comunicávamos pelo olhar e foi bonito ver as mensagens calorosas e diferentes que se trocam sem dizer nada. Foi uma experiência rápida, mas no fim tive a sensação gostosa de paz interna.

Sou faladeira por natureza, e minha profissão me induz a pensar e discutir o tempo todo.As palavras são maravilhosas, mas produzem explicações e justificativas demais. Às vezes os sentimentos são mais simples, porém, envoltos em discursos lógicos, ficam difíceis de ser compreendidos até por nós mesmos. E quanta coisa as pessoas camuflam falando sem parar.

Agora, tento prestar mais atenção no excesso de palavreado.Venho me esforçando para identificar quais são conversas verdadeiramente ricas e perceber quando é melhor fechar a boca. Na rotina, é fundamental nutrir os momentos de silêncio, deixar espaços abertos para a mente vagar.

Ainda não consegui desfrutar desses momentos com a freqüência que gostaria, mas tento aproveitar as pausas que aparecem – nas caminhadas, por exemplo. Hoje, cultivo o silêncio como o mais prazeroso luxo da vida contemporânea porque é raríssimo, ainda mais para uma jornalista. A vida para mim significa o equilíbrio de bom papo e papo nenhum.”



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