Thelma Guilherme, 40 anos, publicitária

AUTO-CONHECIMENTO

Se voce tivesse de deixar sua casa as pressas, o que levaria?

De brincadeira, perguntamos a dez paulistanos o que eles fariam se tivessem de abandonar sua casa às pressas sem data para voltar. Chamamos um psicólogo para explicar o que os objetos dizem sobre o apego, o humor e o senso prático de cada um. Agora, divirta-se descobrindo o que eles elegeram e imagine qual seria sua escolha.

Qualquer casa brasileira tem cerca de 5 mil itens. Se você acha esse número exagerado ou pensa que é incapaz de acumular tudo isso, saiba que a cifra não é aleatória. Quem chegou a ela foi o professor de filosofia George Barcat, do Instituto Palas Athena, de São Paulo, depois de contar coisas em diferentes moradias. “Só no banheiro, de manhã, uso sete produtos. Uma mulher certamente utiliza muito mais”, costuma exemplificar em sua palestra de iniciação à filosofia, para ainda questionar: “Será que realmente precisamos de tudo isso para viver?”

Pois é, enfrentar uma emergência imaginária e eleger o que é valioso e indispensável pode ser um exercício de autoconhecimento. Essa escolha revela o grau de apego, a noção de praticidade, se somos racionais ou emotivos e muito mais.
Dez pessoas responderam a nossa reportagem, e ninguém falou em carregar jóias e cartão de crédito. Os valores a serem salvos eram afetivos ou ligados à sobrevivência. A terapeuta Denise Gimenez Ramos, coordenadora de pós-graduação em psicologia clínica da PUC/SP, analisou as respostas e revela: “De uma forma ou outra, os entrevistados quiseram preservar a própria identidade e a comunicação com o mundo”. Ela considerou as respostas masculinas mais racionais que as femininas – essas em geral foram movidas pela emoção. Mas há exceções.
Confira as escolhas e a avaliação da psicóloga e, em caso de emergência real, siga apenas a instrução do corpo de bombeiros: salve apenas a vida. Esse é sempre o mais precioso dos bens!

Pablo Miranda, 25 anos, arte-educador
Luis Eduardo Salvarore, 27 anos, administrador, fotógrafo e diretor de ONG
Cléo Araújo, 27 anos, advogada
Fernanda de Castro Lima, 25 anos, produtora de TV
Tatiana Carvalho, 26 anos, veterinária
Leandro Uhlmann, 27 anos, engenheiro
Luciana Guidorzi, 40 anos, artista plástica
Marcelo Cortelazo, 31 anos, microempresário na área de informática


Reportagem: Maria Emilia Kubrusly
Fotos: Gustavo Lourenção

dezembro 2004

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