
O mar Morto
é na verdade um lago que fica
entre Israel e Jordânia, no vale
do rio Jordão,
onde João Batista batizou Jesus Cristo. De tão
salgadas,
suas águas não
abrigam nenhuma forma de vida,
com exceção de microorganismos. |
ESPIRITUALIDADE
A primeira bíblia
Com 2 mil anos, os pergaminhos encontrados
no deserto de Israel são os mais antigos textos bíblicos
conhecidos. Cercados de mistérios, os Manuscritos do
Mar Morto descrevem o cotidiano dos judeus da época.
Parte desse tesouro religioso será exposta no Brasil.
Os Manuscritos do mar Morto constituem a maior descoberta arqueológica
do século 20, segundo os estudiosos. Os pergaminhos reúnem
os mais antigos documentos bíblicos já encontrados
e os textos que descrevem o cotidiano de uma comunidade que
há 2 mil anos vivia isolada no deserto de Qumran, em
Israel, e cujas práticas foram absorvidas pelo nascente
cristianismo. Essas preciosidades poderão ser vistas
no Rio de Janeiro e em São Paulo, no segundo semestre
deste ano.
Os pergaminhos de pele de cabra e ovelha, embrulhados em panos
de linho, foram descobertos acidentalmente por um pastor de
uma tribo de beduínos, em 1947, dentro de jarros de barro
escondidos em cavernas. São cópias de trechos
do Antigo Testamento e descrições das crenças
e dos costumes dos essênios, uma seita judaica que viveu
há 2 mil anos na região do mar Morto. “Os
manuscritos permitem conhecer o judaísmo dos tempos de
Jesus Cristo baseado em documentos da época”, explica
Pedro Lima Vasconcelos, professor do departamento de teologia
e ciência das religiões da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo (PUC-SP).
Escavações que duraram cerca de dez anos desenterraram
quase mil manuscritos em aramaico, hebraico e grego. Alguns
rolos foram recuperados praticamente inteiros, e outros não
passavam de fragmentos que formavam um imenso quebra-cabeças.
Os documentos resistiram à passagem dos séculos
graças ao clima árido e à baixa umidade
relativa do ar do deserto, que fica a 25 km de Jerusalém,
capital israelense.
Biblioteca oculta
A cerca de 800 m do local das cavernas onde estavam escondidos
os pergaminhos, os arqueólogos encontraram as ruínas
da comunidade dos essênios, que viveram na região
aproximadamente 200 anos, incluindo um mosteiro e um cemitério
com mais de mil túmulos. “Os documentos provavelmente
formavam a biblioteca da comunidade e foram guardados nas cavernas
para serem salvos da destruição que os romanos
impingiram a Israel no ano 70”, explica o professor Pedro
Lima.
O manuscrito mais antigo foi confeccionado no ano 168 a.C. A
data é confirmada por outros artefatos encontrados nas
escavações, como vasos, potes e utensílios
de pedra e cerâmica, moedas. Cerca de 80 dessas peças
poderão ser vistas no Brasil. Os pergaminhos e objetos
exibidos aqui fazem parte do acervo do Instituto de Antiguidades
de Israel. Outra parte pode ser vista no Museu Israel, em Jerusalém.
Os achados do mar Morto agitaram a comunidade científica,
pois os pergaminhos poderiam constituir a primeira prova concreta
da existência de Jesus Cristo, já que tudo o que
se sabe sobre sua vida se resume a relatos orais descritos nos
Evangelhos do Novo Testamento.
Alguns estudiosos chegavam a defender a teoria de que Jesus
tivesse vivido um período entre os essênios. Mas
nenhum texto faz menção ao mestre. “São
João Batista pode ter tido algum contato com essa comunidade
de essênios, pois ele batizava no rio Jordão, bem
perto dali. Mas essa hipótese é impossível
de ser comprovada”, esclarece Pedro Lima.
Houve também muita especulação sobre misteriosas
revelações contidas nos pergaminhos, que ainda
hoje permaneceriam secretas por ordem das autoridades. Como
também essa teoria não foi confirmada, os manuscritos
podem ser admirados como um dos maiores tesouros religiosos
do mundo.
Para saber mais
Exposição
• Pergaminhos do Mar Morto: um Legado para a Humanidade.
Museu Histórico Nacional, Rio de Janeiro, de 20 de agosto
a 9 de outubro de 2004, e Estação Pinacoteca,
São Paulo, de 29 de outubro de 2004 a 30 de janeiro de
2005.
Livros
• Os Manuscritos do Mar Morto Hoje, de James C. Vanderkam
(ed. Objetiva)
• 101 Perguntas sobre os Manuscritos do Mar Morto, de
Joseph Fitzmyer (ed. Loyola)
• Os Manuscritos do Mar Morto, de Geza Vermes (ed. Mercuryo)
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Os judeus
essênios se espalhavam por todo Israel, mas o grupo
que se isolou na comunidade do mar Morto vivia retirado
no deserto sob rígida disciplina. Concentravam-se
no estudo das escrituras sagradas do Torá e seguiam
estritamente as regras de conduta ditadas por Moisés. |
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Estes pergaminhos de
pele de cabra e ovelha estavam envoltos em panos de linho,
escondidos em jarros de barro nas cavernas de Qumran, Israel.
Alguns rolos encontravam-se praticamente intactos, e outros,
despedaçados, formando um intrincado quebra-cabeças. |
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Sob as ordens do imperador
Tito, os romanos arrasaram Jerusalém no ano 70 e
destruíram o segundo Templo dos judeus. O trecho
do Muro Ocidental que restou dos escombros é chamado
de Muro das Lamentações: neles até
hoje os fiéis rezam e lamentam a destruição
de seu lugar sagrado. |
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Pote de barro encontrado
nas ruínas da comunidade dos essênios. |
Texto: Wilson F. D. Weigl
Agosto 2004
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