Um dos xodós do lugar é a plantação de copos-de-leite,
que floresce entre os meses de junho e agosto.
HARMONIZAÇÃO

Aqui, no alto da montanha...

A pequena cidade de Gonçalves, no sul de Minas Gerais, foi o lugar escolhido pela paisagista Carmela Vecchi para sua nova morada, cercada de flores. A singela casa de roça, antes usada apenas nos fins de semana, se transformou em refúgio, lar e local de trabalho.

Há um ano e meio, a paisagista Carmela Vecchi deixou para trás a capital paulista – as quatro horas diárias que passava no trânsito e as jornadas de trabalho que só terminavam depois das 10 da noite... – para se entregar ao ritmo sossegado do interior mineiro. Mudou-se para Gonçalves, a 215 km de São Paulo. Ela acorda cedo como antes, desenvolve seus projetos e visita obras da mesma forma que sempre fez, mas vê o tempo render. As distâncias são curtas, os caminhos são livres e a natureza abençoa tudo.

Adaptação
Descendente de italianos, Carmela Vecchi estudou sociologia e depois decoração. Havia 11 anos, mantinha essa casinha rodeada pela serra da Mantiqueira para descansar nos fins de semana, recarregar as energias e driblar a rotina estressante da cidade. “Até bem há pouco tempo, aqui não tinha luz elétrica e pela rua de terra passava até carro de boi”, lembra a paisagista. Depois de tanto vai-e-volta, Carmela e seu companheiro, o empresário André Galli, decidiram mudar definitivamente para o interior. Na bagagem, instalações elétricas, um computador com acesso à internet, TV e o essencial para a casa funcionar. Conseguir trabalho não foi complicado. “Os amigos começaram a comprar casas ao redor e logo percebi que podia realizar tudo o que fazia em São Paulo, com mais qualidade de vida”, diz a paisagista. Morando em Gonçalves, ela começou a pesquisar espécies e materiais que permitem compor os jardins sem depender de fornecedores de São Paulo – outra forma de facilitar a vida.

A atmosfera acolhedora da casa é o espaço perfeito para receber. “Hoje vejo mais meus amigos de São Paulo do que quando morava lá. Cozinhamos juntos e chamamos todos para ajudar a inventar novas receitas. Depois, ficamos na varanda olhando o nada ou fazemos passeios, visitando, por exemplo, as muitas cachoeiras da cidade”, conta. “Sempre achei que um dia viria morar aqui, mas pensei que fosse aos 70 anos. Ainda bem que isso aconteceu aos 47!”, brinca Carmela. “A cada 20 dias, visito a família na capital e atualizo os passeios culturais. Assim fico tranqüila e tudo dá certo”, finaliza.

A exuberante serra da Mantiqueira e muitas araucárias envolvem a casa de Carmela e André.
Amarelo e azul predominam no interior da casa, sempre aberta para os amigos. Cortinas de renda e móveis confortáveis deram novos ares à sala. O tapete de tecido, produzido na ONG Aldeia do Futuro, de São Paulo, quebra a frieza do piso de cerâmica.
Azulejos portugueses dão graça à cozinha de roça.
Para aproveitar melhor o espaço, que não comportava nenhum armário, Carmela pendurou as cestas de palha feitas na região embaixo da mesa de apoio.
O quarto do casal ganhou charme com a colcha de retalhos, presente da irmã de Carmela. Os objetos, os móveis e a rotina da casa conservam a simplicidade interiorana.
Ao longo do dia, o sol circunda a casa e a varanda vira lugar de trabalho, longe do caos urbano. Carmela trabalha na varanda, que é também ambiente de estar com os amigos para longas conversas.
A horta protegida por um espantalho, feito pelo irmão de Carmela. Um pote de cerâmica foi pintado para ser a cabeça do boneco.


Reportagem: Chynthia Almeida Rosa
Reportagem Fotográfica: Inara Prudente Corrêa
Fotos: Marcelo Zocchio

MAIO 2004

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