“Sempre peço proteção à Virgem”
Fernando Louza, fotógrafo, carioca, 53 anos
ESPIRITUALIDADE

No altar lá de casa

Compor um altar é eleger um lugar mais íntimo para entrar em contato com as divindades que nos protegem. Aqui, quatro pessoas contam por que é bom abrir espaço para a devoção no cotidiano.

“Sempre peço proteção à Virgem”
Fernando Louza, fotógrafo, carioca, 53 anos

Calor de 40º C em Havana, Cuba. Fernando Louza subiu as escadas da casa clara e fresca e se deparou com uma imagem que o deixou sem fala. “Nunca senti tanta emoção”, conta. “Ao ver a antiga estátua de Nossa Senhora dos Navegantes, imediatamente pedi sua proteção. Tenho certeza de que ela me abençoou: as fotografias daquele trabalho de reportagem ficaram tão lindas que decidi montar uma exposição”, lembra Fernando. Para sentir mais de perto a presença da Virgem, fez uma enorme ampliação da foto, que ocupa o hall de entrada de seu estúdio (à esquerda).

Criado na tradição católica, em um lar onde sua mãe ensinou a importância da conexão com o divino, Fernando sempre se sentiu ligado à espiritualidade. “De Paris, por exemplo, trouxe vários exemplares da famosa medalhinha milagrosa de Nossa Senhora da Imaculada Conceição, de uma igreja erguida em homenagem a ela, na rue de Bac”, diz com entusiasmo. Ele usa as medalhas no pulso, no carro, em casa e também não hesitou em colocar uma delas na coleira de Hugo, seu cachorro. Ele conclui: “Acredito que assim estou sempre amparado pela Mãe Divina”.

“Minha santa rosa-choque”
Isabelle Tuchband, artista plástica, paulista, 35 anos

Arrumar o altar todas as manhãs, trocar a água dos vasinhos, colocar velas, flores e incensos é a forma que Isabelle escolheu para orar. “São minutos de pura e regeneradora contemplação”, diz ela.

Dentro do altar, ela pintou elementos da natureza para agradecer a criação divina. “Sou grata por tudo que temos neste mundo: céu, aves, estrelas. Por isso escolhi pintar seres de minha devoção e, em especial, algumas imagens de Nossa Senhora”, conta.

Praticante de ioga, também colocou no oratório colorido uma foto de seu guru indiano, Sathya Sai Baba, a quem atribui muitos milagres, como a rápida recuperação do seu pai após uma doença grave. “Esse mestre nos ensina que a única religião que existe é a do amor. E é exatamente nisso que acredito”, reconhece a artista.

“Minha santa rosa-choque”
Isabelle Tuchband, artista plástica, paulista, 35 anos

“Meu jardim é meu altar”
Renata Tilli, arquiteta e paisagista, paulista, 50 anos

O oratório é simples, feito de uma antiga caixa de bacalhau de pinho-de-riga. Fica no meio do jardim, o lugar que Renata elegeu como seu espaço sagrado.

“Rezo ali todas as manhãs, diante de uma antiga imagem austríaca da Virgem, que herdei da minha mãe. Mas posso dizer que também estou em oração cada vez que cuido de uma planta ou rego uma flor”, conta ela. “Sou de uma família de paisagistas: meu avô, que veio da Itália, já vendia plantas, assim como meu pai. A natureza é sagrada para nós”, diz Renata.

Em seu altar também fica uma estrela de lã, tecida em um trabalho espiritual que ela realizou há alguns anos e que está ali como uma representação de sua vida. “É um altar singelo, simples, com poucos elementos. Quero mesmo que seja assim”, sintetiza.

“Meu jardim é meu altar”
Renata Tilli, arquiteta e paisagista, paulista, 50 anos

“Rezo para quem mais amo”
Maringá Pilz, paisagista, paulista, 52 anos

“As crianças são anjinhos que chegam à família e, por isso, acho que merecem estar entre os santos de meu altar”, diz sorrindo Maringá, que colocou muito afeto na escolha das fotos da filha e dos netos, de imagens, flores, velas e incensos e outros elementos que compõem o lugar de devoção em sua casa.

Além desses elementos, Nossa Senhora das Graças lembra sua principal devoção na infância e sua ligação com o catolicismo. Está ao lado de Shiva, deus indiano da transformação, que marca sua descoberta do hinduísmo e o reconhecimento da eterna dança das forças cósmicas. Buda, um foco de devoção mais recente, chegou depois da leitura dos livros do dalai-lama, o maior mestre vivo budista. “Me encanto com as palavras do budismo. Aprendi muito com essa filosofia de vida, mas não esqueço minha origem cristã, bem enraizada”, revela a paisagista.

Para ela, todos esses seres sagrados convivem em harmonia. “Eles são símbolos de amor, compaixão e tolerância, qualidades que têm muito significado para mim e representam meu próprio caminho espiritual, cultivado ao longo da vida”, conclui, comovida.

“Rezo para quem mais amo”
Maringá Pilz, paisagista, paulista, 52 anos

“Acredito nas forças do bem”
Suzana Camará, jornalista, paulista, 46 anos

Há tempos, Suzana trocou as viagens a Europa e Estados Unidos por destinos mais exóticos e distantes, onde pode conhecer lugares de devoção e peregrinação. Ecumênica, ela encontra o aspecto divino nas mais diversas religiões. “Em Machu Picchu, no Peru, me senti muito mais próxima de Deus. Em Bodhigaya, na Índia, perto da árvore em que Buda viveu a iluminação, também fui tomada por uma forte comoção. Experimentei a espiritualidade de várias formas”, diz ela.

Conheceu as ruínas antigas do templo de Angkhor Vat, no Camboja, os budas dourados da Tailândia, os monastérios do Tibete, os rituais populares para Shiva, o deus hindu da transformação, nas margens do rio Ganges, na Índia. “Não consigo mais trocar essas experiências profundas pelo turismo convencional”, admite. Dessas visitas, ela trouxe inúmeras imagens budistas, xintoístas, hinduístas e cristãs. E há espaço também para uma pequena figura de Iansã, divindade de nosso candomblé. “Sendo do bem, tudo vale”, acredita Suzana Camará.

“Acredito nas forças do bem”
Suzana Camará, jornalista, paulista, 46 anos


Como montar seu altar
Deixe sua intuição agir. Pergunte a si mesmo em qual ponto da casa você gostaria de rezar por alguns momentos, todos os dias. Não precisa sequer ser um lugar grande – um aparador
ou até mesmo uma parte da estante podem servir.

Lembranças de viagem que façam recordar lugares sagrados que você gosta ou visitou são sempre bem-vindas. Acrescentar flores simboliza a renovação da fé.
Diferentes divindades podem marcar fases diversas de sua vida. O importante é que elas tenham significado para você. Altares que dão para o jardim ou têm muitas plantas associam a força da espiritualidade à natureza.
Entre imagens e outros elementos, coloque também um espelho. Assim, sua imagem fica entre as divindades protetoras. É a mesma inspiração desta saudação indiana: “O Deus que há em mim saúda o Deus que há em você”.

Texto: Liane C. de Almeida Alves
Reportagem Fotográfica: Gueguela Baccari
Fotos: Carol do Valle

Março 2004

VEJA MAIS SOBRE ESTE ASSUNTO



ANUNCIE | MAPA DO SITE | DÚVIDAS | EXPEDIENTE | NAS BANCAS | FALE CONOSCO | NEWSLETTER | LOJA ABRIL

Copyright © 2007 Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados
Dúvidas sobre senhas e acesso ao site, veja aqui.
Para comunicar erros no site, por favor entre em contato.
Sugestões de pautas ou dúvidas sobre reportagens, por favor envie um email