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No mundo moderno, vivemos ansiosos,
tensos, angustiados. Quem medita desenvolve o amor, conhece
a paz, torna-se uma pessoa muito mais alegre, generosa, saudável
e feliz
Quem medita ganha qualidade de vida, se eleva espiritualmente,
tende a se tornar uma pessoa mais calma, paciente, bem-humorada
e amorosa. Além disso, aumenta a energia vital e o bem-estar
físico. E isso faz enxergar o mundo e a própria vida de outra
forma. Por tabela, a meditação ainda beneficia as pessoas ao
redor. Sua prática ajuda a abrir o coração para os outros, despertando
a compaixão que trazemos dentro de nós. No mundo em que vivemos,
estamos sempre em atividade. Mesmo nos momentos de lazer, enfrentamos
trânsito quando vamos passar um fim de semana na praia, filas
no cinema, caminhadas e exercícios aeróbicos na busca da boa
forma. Quando se fala em atividade mental, o ritmo é frenético.
Consumidos por trabalho ou estudo, ainda temos necessidade e
interesse em ler livros, jornais, revistas, acompanhar os noticiários,
filmes e entrevistas na TV, equacionar a agenda doméstica. Um
pique que dura os 365 dias do ano. Não é à toa que a maioria
de nós está sempre ansiosa, tensa, angustiada. Isso acontece
não só pelo ritmo de vida que levamos, mas principalmente porque
não encontramos tempo para nós mesmos. Preocupados com o mundo
e as pessoas a nossa volta, com a competição do ambiente de
trabalho, com a possibilidade de perder o emprego, a saúde ou
mesmo a própria vida, somos vítimas de uma imensa insegurança
física e emocional. Pior: conectados com tais demandas e problemas,
nos desconectamos de nós mesmos e esquecemos o essencial, que
é o cuidado com todas as partes de nosso eu.
Palavra dos médicos
O principal benefício da meditação é levar a pessoa a se centrar
em seu próprio eixo. Os cientistas estão descobrindo que apaziguar
a mente é o melhor remédio para combater o estresse e outros
males de nossos dias, como hipertensão e obesidade. Ao reduzir
o nível de ansiedade, a meditação vem sendo indicada inclusive
pelos médicos. O cardiologista Herbert Benson, da Universidade
de Harvard, um dos maiores pesquisadores americanos sobre o
poder da meditação na saúde do indivíduo, afirma no livro Medicina
Espiritual (ed. Campus) que 60% das consultas médicas poderiam
ser evitadas se as pessoas soubessem usar a mente para combater
as tensões.
O doutor Benson e outros pesquisadores analisaram pressão arterial,
batimentos cardíacos, temperatura da pele e ritmo cerebral de
alguns meditadores e constataram: enquanto medita, a pessoa
consome 17% menos oxigênio e seu ritmo cardíaco cai dos habituais
60 bpm (a média de uma pessoa adulta em repouso) para apenas
3. Os pesquisadores descobriram também que durante a meditação
o ritmo sanguíneo diminui em todas as regiões do cérebro, aumentando
no sistema límbico, área que responde por nossas emoções, pela
memória e pelos ritmos do coração e da respiração.
Nas últimas duas décadas, na Clínica de Redução do Estresse
da Universidade de Massachusetts, nos EUA, foram monitorados
14 mil portadores de câncer, aids, dor crônica e complicações
gástricas. Pesquisas ali realizadas revelam que, quando submetidos
a sessões de meditação, esses pacientes reduziram o nível de
ansiedade e diminuíram ou abandonaram o uso de analgésicos.
Meditando, eles alteraram o foco de sua atenção e assim deixaram
de sentir o medo de vir a ter dor, uma sensação que antecipa
e aumenta a própria dor. Segundo os estudiosos da Clínica de
Redução de Estresse, as queixas de dor caíram 40% em média,
porque boa parte da dor é psicológica, nasce exatamente do medo
de sentir dor. Por essas e outras, a meditação tem recomendação
terapêutica em casos de fibromialgia (dores nos músculos e nas
articulações), fobias e compulsões no hospital da Unifesp, em
São Paulo. Lá, pacientes deprimidos e ansiosos que meditaram
durante três meses sob a orientação de instrutores indianos
tiveram melhora em sua agilidade mental e motora.
Adrenalina na dose certa
Segundo estudiosos das universidades americanas Columbia e Stanford,
a meditação atua sobre o estresse porque, quando a mente se
aquieta, a produção de adrenalina e cortisol (hormônios liberados
em situações de estresse) é inibida, enquanto a de endorfina
(um tranqüilizante e analgésico natural tão poderoso quanto
a morfina) é estimulada. Só isso já seria um bom motivo para
meditar. No entanto, quando deixamos de lado as preocupações
com o físico e nos voltamos para o aspecto espiritual, meditar
torna-se quase uma necessidade.
O poder da fé
Sobre o caminho espiritual, madre Teresa de Calcutá, religiosa
albanesa que recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 1979, dizia: "Tudo
começa com a prece". De fato, tanto nos círculos espiritualizados
quanto no inconsciente da humanidade, todos percebem a força
da oração. É que orar e meditar trazem os mesmos benefícios.
A alma volta a ocupar o corpo e a pessoa se conecta com o Todo.
Meditar e orar são coisas do ser, não do fazer. Em ambas as
práticas, o fio condutor não é a religião, mas o amor. Quando
medita, a pessoa volta seu olhar para o mais fundo de seu ser,
aprende a se amar e amar tudo a seu redor.
Mais amor e menos preocupação É consenso na comunidade científica
mundial que nascemos há 15 bilhões de anos, de uma incomensurável
explosão (seu eco é captado por aparelhos ainda hoje). Viemos
do cosmo, da ordem que foi se criando e continua sendo criada
ao longo desses bilênios. E, como caos e cosmo são inseparáveis,
precisamos catar os cacos e tentar refazer a unidade. A meditação
acalma os sentidos porque ajuda nessa tarefa. Há a convicção
dos mestres espirituais e dos sábios de todas as culturas de
que a paz entre os povos e as pessoas passa pela alma e pelo
coração. Meditando, nosso coração se aquieta, ficamos tranqüilos.
Não só os budistas perseguem a paz. Santo Agostinho já dizia:
"Irriquieto estará meu coração enquanto não descansar em Ti,
Senhor". Ansiar pela paz não é uma questão dessa ou daquela
religião. Madre Teresa de Calcutá ensinava: "O importante é
ajudar um hindu a tornar-se um hindu melhor, um muçulmano a
tornar-se um muçulmano melhor e um católico a tornar-se um católico
melhor". Vale dizer: devemos ajudar-nos uns aos outros. E, com
a meditação, treinamos a mente para se comportar de uma forma
diferente da que está acostumada. Em vez da velha tendência
de fabricar preocupações e gerar estresse, ela passa a ceder
espaço para que vejamos o mundo de forma mais amorosa. Ainda
que no começo você encontre dificuldades para a meditação nos
moldes em que ela nos é ensinada pelos mestres espirituais,
adquira o hábito de dar paradas ao longo de suas atividades
para refletir sobre o que está fazendo. Uma simples reflexão
sobre o aqui e o agora já acarreta um enorme benefício. Agindo
assim, aos poucos sua mente se tornará menos dispersiva e você
terá desenvolvido a atenção e a concentração necessárias à meditação.
Eu quero mesmo meditar?
O futuro meditador precisa estar preparado: além de exigir força
de vontade -, a prática da meditação nos coloca em contato com
nossa própria realidade, o que num primeiro momento nem sempre
é agradável. Lembre-se também de arranjar um tempo em seu dia-a-dia
para isso. E não se esqueça: além dos momentos difíceis, os
resultados da meditação, nem sempre palpáveis, custam a aparecer.
Se nada disso o assusta, siga em frente. Escolha a melhor hora
para meditar: muito embora a primeira meia hora de seu dia o
obrigue a levantar pelo menos 40 minutos mais cedo, é nesse
horário que a calma da casa costuma ser maior. Como não deve
ser incomodado durante a meditação, definido seu horário, participe
à família e aos amigos que não está disponível naquele espaço
de tempo.
Sem expectativas
Muitos começam a meditar e, embora sigam seu propósito por algum
tempo, acabam desistindo. Explica-se: o meditador às vezes tem
a impressão de que não sai do lugar (e não sai mesmo! Meditar
não leva ninguém a lugar nenhum onde já não se esteja...). Como
a dificuldade para se concentrar é grande, a tão ambicionada
tranqüilidade demora a ser conquistada. Para evitar frustrações,
comece sem maiores expectativas. E não tenha pressa. Entregue-se
à meditação sabendo que essa experiência é muito pessoal e deve
ser realizada seguindo os critérios que você próprio estabelecer.
Não espere nenhuma transformação radical: novos hábitos levam
ao abandono de outros mais antigos, o que nunca é fácil. Dificuldades
fazem parte do processo. Um dia, quando se der conta, já será
outra pessoa, muito mais inteira e feliz.
Texto: Marilda Varejão
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