O que você vai ser quando crescer? Remador, cavaleiro, tenista, corredor, diplomata – como o pai –, campeão mundial de atletismo. Guilherme Leite Ribeiro, dono deste apartamento, resolveu enveredar pelos caminhos do design gráfico e de móveis em vez de seguir as sugestões dadas pelo avô materno quando ele ainda era um menino. Mas fez questão de compilar todos os desenhos que registram cada uma das profissões propostas – guardados desde a infância em um caderno de família – e hoje exibe todos eles em quadrinhos emoldurados na parede do hall que leva aos quartos. “Achei que essa seria uma maneira de relembrar o carinho que meu avô tinha por nós”, diz Guilherme.
Outras referências afetivas fazem parte da decoração do apartamento de três quartos e 300 m2. “Na maioria das vezes, o valor sentimental toma precedência em minhas coisas”, confessa Guilherme. Isso faz com que o designer traga, por exemplo, desenhos e fotos de amigos para a sala, em vez de mantê-los na área íntima. Móveis, objetos de decoração e quadros acumulados ao longo de anos também revelam ambientes plenos de memória.
Filho de diplomata, Guilherme nasceu no Rio de Janeiro, mas já morou em Santiago, Roma, Milão, Madri e Nova York. “Nunca acreditei nessa história de sair para comprar coisas e montar uma casa. A minha é feita de registros, viagens, heranças e também de peças assinadas por mim mesmo”, diz ele. Dono de uma personalidade inquieta e acostumado a mudanças, o designer costuma trocar objetos e móveis de ambientes, criando uma nova dinâmica nos espaços. “Gosto de renovar. Quando morei nos Estados Unidos, onde fiquei mais tempo, de 1982 a 1997, mudava de bairro pelo menos a cada cinco anos.”
Essa energia em movimento se expressa também na maneira em que Guilherme vive a sua casa. “Adoro dar festas e receber amigos e hóspedes. Geralmente, ficamos na cozinha e na sala de TV, que são meus lugares preferidos”, diz. Não foi à toa que ele colocou um sofá na cozinha. Dona Lia, a cozinheira, em plena atividade, confirma: “Ele aperta todo mundo aqui, nas cadeiras e no sofá. Adora ficar nesse cantinho. Eu insisto para servir as refeições na sala de jantar, mas ele não quer saber”.
“MINHA CASA É FEITA DE REGISTROS, HISTÓRIAS, LEMBRANÇAS DE VIAGENS. ACHO QUE É UMA COMPILAÇÃO DISSO TUDO. SÓ GOSTO DAS COISAS QUANDO TÊM UM SIGNIFICADO”