casa

“Aqui vivo e faço arte”

Muito prazer e criatividade são gerados na casa da publicitária Magy Imoberdorf, em Santana
do Parnaíba, a 35 km da capital paulista. O passado e o presente
se encontram nesta construção do século 16 que guarda muitas histórias...


A casa branca de esquina parece ser apenas mais uma das que integram o conjunto arquitetônico colonial de Santana do Parnaíba, em São Paulo. Quem olha de fora não tem idéia das surpresas que habitam seu interior. Impossível adivinhar a amplidão das salas, o jardim viçoso, o ateliê ao fundo. O estilo colonial combina com o contemporâneo e com obras de arte singulares – a maioria produzida pela própria dona da casa, a publicitária e artista plástica Magy Imoberdorf.
A história de vida dela é tão surpreendente quanto o espaço que escolheu para passar os fins de semana. Um cliente que participe de uma reunião com ela em sua agência paulista, a Lage’Magy, dificilmente a imaginaria empunhando uma serra elétrica para recortar, em compensado de madeira, o traçado de um singelo vaso de flores.

Quem conhece esse lado de Magy são os que a visitam. Eles até colaboram em algumas criações. “Um amigo ortopedista me ensinou a trabalhar com gesso”, conta ela, mostrando os quadros de gesso que estão em uma parede. Outros – muitos – doaram velhos discos de vinil em que ela desenha retratos muito expressivos.

Magy concilia sem conflitos a agenda de presidente de agência (foi a primeira mulher a ocupar essa posição no Brasil) e as atividades de artista. “Fazer coisas com as mãos me descansa”, diz.
Formada em artes plásticas na Suíça (ela nasceu em Zurique e veio para o Brasil em 1969, aos 23 anos), a publicitária tem no desenho sua grande paixão. “Quando viajava, mesmo a trabalho, em vez de máquina fotográfica levava o caderno de desenhos e registrava o que via”, recorda-se.

Idéias em ação

Hoje, em sua casa de fim de semana, ela instalou no alto do jardim com imponentes palmeiras, magnólias e horta um ateliê para deixar a criatividade voar solta. Ali misturam-se sem cerimônia ferramentas de marcenaria, apetrechos de costura e bordado, tintas, pincéis, madeira, móveis antigos, um velho fogão a lenha e sofás assinados pelo designer francês Philippe Starck. “Gosto de colocar peças supermodernas para contrastar com a atmosfera colonial”, diz Magy.

Detalhes românticos

Todas as obras espalhadas pela casa têm histórias a contar. Muitas vezes, resultam da reciclagem de materiais. “Uma mania do meu avô. Coisa de suíço por causa da guerra: ‘Não jogo nada fora’. Mas não posso simplesmente ficar guardando, então transformo”, justifica. Nem as molduras de quadros de outros autores escapam de suas mãos. Em seu quarto, há uma pintura de Samuel F. B. Morse, o inventor do código Morse, cuja moldura dourada antiga foi descascada por um jato de calor e recebeu toques de colagem. Caixotes, embalagens de papel, coisas que pega na rua viram arte, sem preconceito, em perfeito equilíbrio.

Trabalhos de Maggy.
Maggy Imoberdorf .
Vista da casa.
Magy é especialista na arte de receber. E um dos momentos de que mais gosta é a hora do lanche no terraço, construído onde havia dois quartos. A artista plástica abriu a parede que os separava do jardim, mantendo as colunas originais. Assim o olhar vai longe...
O painel de madeira representa uma amiga de Magy, o marido e o filho.
A figura de patchwork idealizada pela artista foi feita a mão por uma costureira que recebeu o projeto em papel vegetal coberto com pequenos triângulos numerados.
Magy desenha um dos retratos no disco de vinil pintado de branco.
Magy em seu ateliê.
No ateliê, uma mistura feliz de técnicas e materiais de reciclagem.
Os detalhes de renda são outras obras suas.
As camisetas fazem parte da coleção de 250 modelos que Magy criou e expôs na Galeria Mônica Filgueiras, em São Paulo, em 2004. Sua sugestão é usar até cansar e, quando estiver bem velha, emoldurar e pôr na parede.
Camiseta criada por Maggy.
No quarto, há um quadro de Mickeys revestidos de folhas douradas porque o “Mickey é uma mina de ouro”, diz brincando a artista.

Texto: Maria Emília Kubrusly
Reportagem Fotográfica: Ana Paula Wenzel
Fotos: Christian Parente

abril 2005



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