BEM-ESTAR

Elas são loucas por...

Culinária, rosas e galinhas. Veja como três mulheres paulistas transformaram suas paixões desenfreadas em trabalhos rentáveis e muito prazerosos.
artista plástica paulistana Juliana Chagas, 32 anos, sempre pintava galinhas em suas aquarelas até perceber que elas poderiam ganhar volumes e outras formas divertidas. A fotógrafa Mônica Vendramini, de São Paulo, 38, há quatro anos dedica suas lentes quase exclusivamente às rosas. E a chef de cozinha paulistana Ana Soares, 52 (ao lado), era arquiteta quando percebeu que na cozinha estavam o rumo e o sentido para sua vida profissional.
Elas nos mostram como foram envolvidas por essas paixões, como arriscaram mudar de vida e qual é o prazer de reinventar o que mais gostam a cada dia.

(foto de abertura)
Trabalho saboroso
A chef de cozinha Ana Soares foi arquiteta, paisagista e teve uma confecção até descobrir que o que queria mesmo era nunca mais sair da cozinha. “Foi um caminho tortuoso, difícil, até eu me encontrar profissionalmente”, diz.
Esse caso de amor começou quando ela morou na França por quatro anos. “Tudo lá me levava a curtir a culinária: sabores, lugares, cheiros”, conta. Ela somou esses prazeres à herança da mãe, que cozinhava muito bem, e da avó, que deixava Ana, ainda criança, fazer comidinhas de verdade no fogão! “Elas eram femininas, delicadas, e essas qualidades sempre foram valorizadas lá em casa”, conta.

Ana cozinhava timidamente para os amigos quando recebeu, na mesma semana, dois convites para desenvolver cardápios. Achou curioso e resolveu arriscar. “Fui trabalhar em um hotel e, quando entrei na cozinha enorme, percebi que lá estava meu mundo, o que eu queria fazer o resto de minha vida. Em dois meses, larguei tudo. No início, ficava quatro horas na cozinha, depois seis, depois oito e até não sair mais”, diz.

Hoje, Ana tem a rotisserie Mesa 3, em São Paulo, e presta consultoria para restaurantes. Ela conclui: “Sou feliz por trabalhar exatamente com o que mais gosto e sempre estar envolvida em novos desafios gastronômicos”.

Rosas que falam
Mônica Vendramini fazia reportagens fotográficas para revistas e jornais quando encantou-se pelas flores.

“Tive a idéia de fazer fotos instantâneas das flores que ia encontrando pelo caminho. Elas estavam por todos os lados: em vasos, quintais, floriculturas. Eram de todos os tamanhos e cores. Daí comecei, sem perceber, a dar preferência às rosas. Não sei ao certo como aconteceu. Até hoje tenho dúvidas se fui eu quem as escolhi ou elas que se abriram para mim”, conta.

Seu trabalho com rosas vermelhas, fotografadas sempre em polaróides e depois superampliadas, foi tomando forma. “Mostrei para algumas pessoas e logo fui convidada a fazer uma exposição. Fiz uma mostra na Pinacoteca de São Paulo, onde tive um retorno muito positivo do público.”
Depois disso, as rosas vermelhas, brancas, cor-de-rosa, amarelas não saíram mais da vida da fotógrafa, que já expôs seu trabalho em várias cidades do Brasil e em Paris. “Quando penso em parar, surgem outras idéias, outras técnicas para fotografá-las, outro modo de olhá-las. Elas sempre se transformam e ganham mais e mais significados. As rosas são absolutas, perfeitas e representam, para mim, o ciclo da vida”, diz Mônica. E completa: “Sou muito grata por ter esse trabalho, que me faz observar, todos os dias, os diferentes e infinitos aspectos dessa flor”.

Mônica Vendramini.

Juliana das galinhas
É assim mesmo que a artista plástica Juliana Chagas é conhecida atualmente. “Elas sempre fizeram parte de minha vida. Fui criada e moro até hoje em uma casa que tem galinhas no fundo do quintal. E, por causa disso, elas estão muito relacionadas a minha infância, a uma fase lúdica de minha vida”, conta.

Quando cursou artes plásticas, Juliana pintava galinhas em suas aquarelas quase instintivamente. “Se fazia uma casa, um jardim, um campo, lá estavam elas com seus pintinhos”, diz. Há dois anos, depois de fazer um curso de cerâmica, Juliana começou a modelar e a pintar as galinhas que fazia. Tomou gosto pela coisa e não parou mais. O trabalho começou a fazer sucesso, Juliana expôs suas obras em uma feira de presentes e, desde então, as galinhas tomam conta de seu ateliê, no Butantã, em São Paulo. “Não esperava fazer tanto sucesso! Percebi que todo mundo tem simpatia pela figura da galinha. Acho que ela atrai por ser gorda, feminina. Remete a um certo aconchego de casa de avó”, acredita.

Juliana não tem o menor medo de cair na rotina. “Acho que, quanto mais você faz uma coisa, mais experiência e credibilidade ganha. Quero descobrir outras formas de fazer exatamente a mesma coisa”, finaliza.

Juliana Chagas.


Texto: Michaela von Schmaedel
Reportagem Fotográfica: Michele Moulatlet
Fotos: Ana Lúcia Mariz

janeiro 2005

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