Mala e bau da Magic Company. Avião da Benedixt. Livros, binóculo, porta-óculos e frasco de bebida da Otto.
Viagem

Com as malas prontas

Viajar sempre tem gosto de aventura. Se é para longe ou para perto, por poucos dias ou alguns meses, para um lugar desconhecido ou que já está gravado na memória, não importa – o efeito é renovador. Vale a pena arrumar as malas, pôr o pé na estrada e voltar para casa cheio de novidades.

Capitais fascinantes
Se você decidiu rumar para uma cidade grande, misture-se com a multidão e prove dos sabores e do ritmo de vida do lugar. Troque o jeito de turista pelo espírito do viajante.

Sair da rotina, respirar outros ares, desbravar novas terras não é luxo, mas necessidade. Viajar é, sem dúvida, uma das melhores coisas da vida. Já pensou o que seria de nós e de nossa rotina sem as tão sonhadas férias? E você não precisa ir muito longe para sentir o prazer das descobertas. Bastam uma dose de inspiração e uma pitada de espírito aventureiro e pronto: você é um viajante.

Tão perto, tão longe
Comece olhando a seu redor. Nem sempre os tesouros estão do outro lado do oceano. Tente mudar o ângulo, ampliar a perspectiva. Que tal reservar o fim de semana para visitar aquela cidadezinha tão próxima, mas até então ignorada? Certamente, ela reserva encantos e recantos peculiares. Faça o teste. Com certeza, quem procura atrai boas surpresas. Um museu, uma igreja centenária, um jardim secreto. A vida está aí fora, como também dentro de você. “A vida é o que fazemos dela. A viagem são os viajantes’’, já dizia o poeta português Fernando Pessoa (1888-1935).

O mundo é grande
Fazer uma viagem longa ou conhecer um lugar muito distante, com pessoas muito diferentes das que você está acostumado a ver e que falem outra língua, é uma chance ímpar de rever nossas preferências e testar nossa flexibilidade. E até mesmo de realizarmos a façanha de viver muitas vidas em uma só. Portanto, entregue-se ao sabor dos ventos, mas não seja apenas turista, desperte o espírito do viajante, ou seja, incorpore a essência dos lugares por onde passar, sentindo-se parte da paisagem.

Quando dá saudade...

Em suas muitas viagens pelo mundo, a escritora Cecília Meireles (1901-1964) soube captar com extrema sensibilidade o tom da aventura, experiência esta que deu origem a suas Crônicas de Viagem (ed. Nova Fronteira). Segundo ela, o verdadeiro viajante sabe que “todos os dias são dias novos e antigos, e todas as ruas são de hoje e da eternidade: e o viajante imóvel é uma pessoa sem data e sem nome, na qual repercutem todos os nomes e datas que clamam por compreensão, amor, ressureição”.

Se no meio do caminho, longe de casa, a saudade bater, não se preocupe, ela faz parte do pacote. Viajar pressupõe distanciamento. Amyr Klink, o “navegador solitário’’, conhece bem o assunto. Ao longo de suas expedições pelos mares, ele pôde sentir o gosto da saudade, mas nunca o da solidão. “Solidão foi a única coisa que não senti depois de partir. Estava, sim, atacado por uma voraz saudade.

De tudo e de todos, de coisas e pessoas. Mas a saudade às vezes faz bem ao coração. Valoriza os sentimentos, acende as esperanças e apaga as distâncias”, confessa ele no livro Cem Dias entre Céu e Mar (ed. Companhia das Letras). Até que chega a hora da volta. Na bagagem, suvenires, fotos, presentes e muita história para contar e a energia renovada. Então, venha o recomeço – que, claro, inclui planejar o rumo da próxima jornada. E de novo experimentar o prazer de ganhar o mundo.

Oriente
Exóticos e delicados, os objetos trazidos da China e do Japão nos lembram o quanto a vida pode ser diferente lá do outro lado do mundo. Espelho e vaso da Garimpo/Fuxique. Porta-retratos, leque, porta-batom e caixa de fósforo da Olá. Hashis da Benedixt.
França
O charme é a marca registrada de uma das partes mais românticas do planeta. Cadeira, bolsas, tapetes, almofada e sapatilha da Garimpo/Fuxique.
Patagônia
Trocar o tumulto da cidade por uma aventura que passe por campos, lagos, geleiras e outras paisagens naturais e exuberantes pode trazer muitas surpresas e novos desafios. Almofada, ponchos, arreios e chapéu da Again.
Interior do Brasil
De norte a sul, a riqueza de nosso folclore e as raízes de nossa fé se expressam em imagens, brinquedos e lembranças que cabem na bagagem e na memória. Objetos do acervo de Udi Lagalline.
Rússia
Quando você estiver muito longe de casa, amanse a saudade curtindo cada momento e o melhor da experiência de ser um estrangeiro. Mesa, vaso e luminária do Depósito São Martinho.
Bonecas, tigelas e colheres russas da Tchayka. Peixe da MAD.
Nordeste
Lá tem tudo de bom: praias lindas, calor o ano inteiro, cores vibrantes, comida deliciosa! Chapéu da Kariri. Cadeira, calça, bule, colares, toalha, bacia e livro da Jacaré do Brasil.

Texto: Raphaela de Campos Mello
Reportagem Fotográfica: Ana Paula Wenzel
Assistente: Thais Lutti
Fotos: Luis Gomes


JANEIro 2005

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