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Bem-estar
Sempre cabe mais um
Há várias maneiras de
entrar no verdadeiro espírito do Natal. Desde abrir mais
um lugar à mesa até compartilhar o que você
tem de melhor: o sorriso, o perdão, o humor, a solidariedade.
O sentido de presentear
O Natal simboliza o maior presente de Deus aos homens: seu filho.
“Presentear, portanto, resgata o significado da doação.
Explicita a idéia de não ter apenas para si mas
também compartilhar com o outro”, lembra Décio
Passos, teólogo e professor da Pontifícia Universidade
Católica de São Paulo. Por isso, dar e receber
presentes sela a troca de carinho, gratidão e amor.
Abra a porta
Ainda que seja apenas um momento no ano, o Natal expressa a
vontade e a necessidade de as pessoas estarem reunidas. Entre
nesse espírito e chame alguém que está
sozinho para cear em sua casa. Essa mensagem de inclusão
pode ser vista no presépio. Acredita-se que a cena da
adoração ao menino Jesus foi criada por são
Francisco de Assis, um homem profundamente ecológico,
sensível e humilde. “Ao montar o presépio,
com a participação de reis, plebeus, bichos e
campo junto à sagrada família, ele recorda que
Deus se desveste de sua grandeza e se faz presente em cada um
de nós”, afirma o teólogo.
Coração leve
“Esta é a época tradicional para reflexão
e renascimento, para olhar o que fizemos e determinar os próximos
passos. Essa intenção pode se repetir no dia 4
de agosto, 7 de março ou qualquer outra data. Todo dia
é dia de recomeçar”, lembra a monja Coen
Sensei, fundadora da comunidade Zen Budista, de São Paulo.
Troque de lado
Em vez da expectativa de ser querido, pense o quanto você
é capaz de amar, de compreender, de ceder. Ame, compreenda,
ceda.
Agradeça...
Ao universo porque o Sol nasce e as estrelas brilham. Aos nossos
ancestrais porque nos deram corpo e por meio dele sentimos,
sonhamos, experimentamos. Finalmente, agradeça por tudo
de bom que tem – certamente é muito mais do que
o que falta a você. Outra atitude importante é
evitar o desperdício.
A multiplicação
da alegria
O que podia ser só uma happy hour entre amigos tornou-se
o ponto de partida para celebrar o Natal de muitas crianças.
É o que conta o empresário paulistano Thomas Karsch,
34 anos. Em 1988, ele e sua turma comemoravam o fim de ano quando
pensaram que, além de bebericar e se divertir, poderiam
arrecadar dinheiro para comprar presentes e distribuir nos semáforos.
“No ano passado, presenteamos cerca de mil crianças.
É o tamanho do sorriso delas que contagia a gente e dá
cada vez mais vontade de ajudar”, diz. E o que era apenas
uma reunião já virou um evento. Os amigos vendem
convites (o do ano passado custou 50 reais) e fazem uma grande
festa: o Natal Espírito Santo. Assim esses momentos de
alegria vão se multiplicando e envolvendo mais gente.
Tempo para as emoções
Aproveite os preparativos natalinos para passar mais tempo ao
lado de quem você gosta. A nutricionista paulista Rita
de Cássia Soares da Silva Carvalheiro, 34 anos, cumpre
um ritual com sua mãe: confeccionam biscoitos para a
família. “Modelamos motivos natalinos, empacotamos
e listamos as pessoas a quem vamos agradecer e presentear”,
conta Rita. “Mas, mais que isso, essa é a hora
de parar a correria do dia-a-dia, estar com minha mãe
e conversar sobre a vida”, declara a filha. Rita está
sempre inovando. “Adoro montar a árvore e deixar
uma cesta de bolas embaixo dela. Peço para cada amigo
ou parente que me visitam pendurar um enfeite e fazer um pedido.
Dá um novo significado à data”, afirma.
Prepare o ambiente
Enfeite a casa com flores, com suas cores preferidas, prepare
uma comida especial. Aproveite para tirar dos armário
as melhores toalhas e louças e não torne a guardá-las
depois da festa, pois o ano inteiro você merece desfrutar
desses tesouros – mesmo que as visitas não estejam
para chegar.
Pinheiro
Essa é uma das poucas árvores que conservam seu
verde no inverno europeu. Por essa qualidade, é o mais
tradicional símbolo natalino. “Representa a vida”,
explica o frei Alberto Beckhäuser no livro Símbolos
de Natal (ed. Vozes).
De bem com a natureza
O pinheirinho de Natal pode virar árvore. Para isso,
recuse os vendidos sem raízes: “Tire o saco plástico
que o envolve e, se a muda ficar dentro de casa, cuide para
que ela receba luz, ventilação e água.
É importante manter a terra úmida também”,
orienta Francine Cuquel, professora da disciplina de plantas
ornamentais da Universidade Federal do Paraná, em Curitiba.
Depois replante longe das calçadas e paredes da casa.
“Dependendo do pinheiro, sua copa tem de 80 cm a 5 m de
diâmetro”, avisa Francine. Vai ser uma delícia
vê-lo crescer!
Olhe para o social
Almofadas, bolsas, tapetes, cortinas e muitos outros objetos
lindos são produzidos por comunidades e organizações
não-governamentais. Quando você opta por eles,
está ajudando muita gente e, ao mesmo tempo, presenteia
de maneira original. “Há três anos, os presentes
solidários estão em minha lista. Acho que ajudo
quem faz e quem recebe. Os presenteados se encantam e acabam
se interessando em comprar mais alguma coisa”, conta a
psicóloga Ana Cristina Aguilar, 51 anos, de São
Paulo. E, se não for possível agradar a todos,
escolha alguém que precise e pesenteie. Combine com seus
familiares e substitua a troca de presentes por uma quantia
em dinheiro que contribua para que a pessoa ou a família
escolhidas adquiram algo necessário.
Deixe as diferenças
para lá
Uma boa oportunidade de deixar a vida mais leve surge durante
as festas, quando algum parente inicia as típicas críticas
a seu modo de viver. “Tente compreender que o outro talvez
não tenha aberto o coração para a compaixão.
Essas pessoas são as que mais precisam de carinho e perdão”,
entende a monja Coen. Então, faça o possível
para ser gentil e não reagir às críticas
gratuitas. A vitória é sua!
Simplicidade é tudo
Para a monja Coen, o espírito de Natal fica bloqueado
porque estamos cansados, irritados com a correria de fim de
ano e temos muitas expectativas. “Esperamos a alegria
que vemos nos filmes de Hollywood e achamos que coisas maravilhosas
vão acontecer quando, na verdade, o mais importante é
cultivar a simplicidade e abrir o coração para
o momento.” O teólogo Décio Passos conclui:
“Quando vamos a uma festa de aniversário é
por causa do aniversariante. No Natal, lembrar do menino Jesus
e de seu exemplo de amor ao próximo faz toda a diferença”.
Trabalho voluntário
A gente não vê, mas dentro do Hospital de Infectologia
Emílio Ribas, em São Paulo, há sete anos
acontece, no mês de dezembro, o Parque dos Valores.
A festa lembra uma quermesse com barraquinhas temáticas
onde os voluntários do hospital, da capelania católica
e da Associação Viva e Deixe Viver (entidade sem
fins lucrativos que se dedica a entreter crianças e adolescentes
hospitalizados) contam histórias e fazem brincadeiras
relacionadas a amor, respeito, cooperação, união
e paz.
“O evento alegra cerca de 600 crianças e valoriza
as atitudes positivas”, diz o publicitário Valdir
Cimino, 43 anos, fundador da Viva e Deixe Viver. Quem quiser
ajudar pode enviar livros infantis e juvenis, lápis de
cor e papel sulfite para a associação. Informações
pelo tel. (11) 3865-2613, São Paulo.
Longe de casa, valorize o momento
Em 2002, a publicitária paulistana Simone Schaustz, 26
anos, estava em Sidney, Austrália, receosa de passar
as festas sozinha. Em vez disso, experimentou uma confraternização
multicultural. Amigos de diferentes partes do mundo se reuniram
em uma festa animada. “Houve feijoada, ritual japonês,
muita cerveja, como pede o povo australiano, e árvore
de Natal. A diferença cultural e de língua nos
uniu. Estávamos juntos por opção. Pela
primeira vez, senti o verdadeiro espírito natalino e
como ele tem pouco a ver com grandes jantares e presentes”,
conta Simone.
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Dar e receber
alimenta a alma... |
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...ilumina as relações... |
 |
...e celebra a vida! |
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Enfeitar a casa demonstra
seu capricho e prazer em acolher. |
Texto: Kátia Stringueto
Reportagem Fotográfica: Camile Comandini
Fotos: Eduardo Delfim
dezembro 2004
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