Viagem

O bom de viver...
...em Ilhabela...
...e em Parati


Uma das definições de felicidade poder ser “estar onde se quer, fazendo o que se gosta”... Esse conceito se encaixa perfeitamente nas histórias que você vai conhecer nas próximas páginas. Primeiro, a de um casal que deixou o corre-corre de São Paulo para viver ao sabor das ondas em Ilhabela, no litoral paulista. E a da ex-terapeuta que, depois de morar muitos anos no exterior, encontrou seu refúgio na cidade fluminense de Parati, onde ela conta a história do Brasil por meio de nossa riquíssima culinária.

...nas águas plácidas de Ilhabela

Depois de passar dois anos e meio divididos em idas e vindas entre São Paulo e Ilhabela, no litoral paulista, Maria Cecília Arruda Herczfeld e Caio Kugelmas, ambos de 58 anos, resolveram fincar de vez os pés na areia. Ao se instalar em uma casa na praia da Siriúba, o casal começou a estruturar a mudança definitiva para Ilhabela. Caio, que é psicoterapeuta, montou um consultório e começou a atender pacientes também na ilha. Cecília, que trabalhou anos na produção de roupas para estilistas, como Ocimar Versolato e André Lima, se lançou em um ramo menos glamouroso, mas, segundo ela, muito gratificante: produção de mosquiteiros.

Um ano e meio atrás, compraram um barco, o Maria Roberta, um troller de 37 pés, que faz parte desse plano B do casal. Durante boa parte do tempo, ele é alugado para passeios pelos arredores de Ilhabela. Mas sempre que não está transportando os turistas, Cecília e Caio fazem dele seu refúgio – algumas vezes na companhia de Eduardo, 9 anos, filho do casamento anterior de Caio.

“Saímos para navegar sem rumo definido. Gostamos dessa sensação de liberdade, de não ter um destino planejado”, diz Cecília. A opção pode ser uma praia próxima, a do Curral, ou mesmo a ilha do Tamanduá, que fica um pouco distante, em Ubatuba. Ou então vale simplesmente lançar âncora e permanecer ao sabor das ondas. “Ficamos no barco batendo papo e ouvindo música. Ou assistimos um vídeo se o tempo não está muito bom”, conta Cecília.

Como o troller tem uma cozinha superequipada, ali mesmo Cecília prepara peixe fresco ou lulas recém-pescadas. A receita é sempre a mais simples: os frutos do mar vão na frigideira temperados com azeite, sal, alho e salsinha. Como acompanhamento, cerveja e caipirinha.
“Ficamos horas assim, no mar, namorando e vendo o tempo passar”, conta Cecília..

No mar de Ilhabela, Cecília e Caio (à esquerda, com o filho dele, Eduardo) mantêm seu barco, equipado com todo o conforto.
O programa é navegar para as praias próximas ou simplesmente lançar âncora e ficar horas ao sabor das ondas.
Mesa posta para um almoço em alto mar.
Dá até para passar a noite a bordo em uma das três suítes.


...entre panelas em Parati
Para Castro Roberts, 60 anos, consolidou um sonho em sua casa em Parati, no litoral do Rio de Janeiro. Ali, ela juntou suas três paixões: a culinária, a história e a arte de receber. Em um imóvel colonial, a ex-educadora, ao lado do marido, Richard Roberts, abriu a Academia de Cozinha e Outros Prazeres, onde dá aulas e promove jantares especiais que fazem a delícia dos turistas, especialmente estrangeiros. Nos últimos meses, 1,8 mil pessoas, de 40 países, sentaram-se à mesa de Yara para uma espécie de viagem pela gastronomia e cultura brasileiras.

Sabor de Brasil
Antes de se radicar em Parati, o casal viveu 37 anos no exterior. “Durante esse tempo, recebíamos muitos convidados em casa e eu fazia questão de servir pratos brasileiros. Abracei a culinária como uma forma de ficar perto do Brasil”, lembra Yara. Aos poucos, a carreira de terapeuta infantil foi trocada pelas panelas. Depois de cursar culinária na universidade de Boston, nos Estados Unidos, Yara ganhou fama como cozinheira de mão cheia, recebeu elogios em jornais como The New York Times e o The Washington Post e teve um programa de culinária na TV americana.

Hoje, definitivamente no país, Yara promove jantares baseados nas culinárias baiana, mineira e amazonense. É quando ela dá uma verdadeira aula, que funde gastronomia, história e geografia, explicando tintim por tintim a origem dos pratos, seus ingredientes e temperos. Ao servir um pudim de clara tipicamente mineiro, por exemplo, ela descreve a sofisticação da cozinha local no apogeu do ciclo do ouro no século 18. “Conto a história do Brasil sob o ponto de vista dos sabores”, explica.

“O mundo inteiro passa por Parati, e essa é forma que encontrei de apresentar o Brasil indo além do cartão-postal”, afirma orgulhosa Yara.

Com carinho, Yara Roberts seleciona os ingredientes usados para preparar os jantares tipicamente brasileiros servidos em seu ateliê culinário.
Detalhe
Escolha de ingredientes frescos, como o peixe
Em volta, poucos móveis e muitas peças do artesanato brasileiro e mexicano e obras de artistas franceses e americanos.
Na casa colonial do século 17 (página ao lado) a mesa ocupa o centro, onde ela recebe os grupos que se deliciam com pratos das culinárias baiana, mineira e amazonense.


Texto: Wilson F. D. Weigl
Reportagem Fotográfica: Graça Salles
Fotos: Luis Gomes

Novembro 2004

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