
Casaco de estilo oriental e calça
da Huis Clos. Almofada da Tok & Stok. |
BELEZA
Delicadeza
Delicadeza. É o que diz o ideograma
na foto, escolhido por traduzir a essência do belo na
visão oriental. Como em tudo que é considerado
admirável no Japão, a beleza feminina está
em ser sutil. Nos gestos, no jeito de vestir, na maquiagem...
A beleza das japonesas está
na graça. Como na pintura, nos arranjos florais de iquebana
e na cerimônia do chá, a maneira como elas se enfeitam
segue o princípio de que o belo está no detalhe.
Seja na maquiagem, seja na forma de vestir, tudo é pensado
para que a mulher emane suavidade – e sedução
– da cabeça aos pés.
“Para os japoneses, o feminino é todo delicado.
Por isso fazem a pele tão alva e a boca tão pequena
e vermelha, como se fosse uma cereja”, conta a pesquisadora
de cultura japonesa Darci Kusano, autora do livro Os Teatros
Bunraku e Kabuki: uma Visada Barroca (ed. Perspectiva).
Uma das teorias que explica a exaltação a essa
brancura facial vem do tradicional teatro japonês, o kabuqui,
que existe há 400 anos. “A pele branca sempre representou
uma superioridade social, pois os nobres não precisavam
trabalhar e não tinham de se expor ao sol”, lembra
Darci.
Havia ainda um quê de praticidade na escolha dessa cor
para colorir o rosto feminino. “O branco combina com qualquer
tom de quimono”, acrescenta a pesquisadora.
Sedução velada
Quase o oposto da estética ocidental, a oriental encontra
a sensualidade no que está velado. “No Ocidente,
quanto mais você se desnuda ou mostra os contornos de
seu corpo, mais sensual você é. No Japão,
a noção de beleza está relacionada com
o que é apenas sugerido”, compara Darci.
Dá para entender por que a nuca nua – o único
pedacinho do corpo feminino à mostra, graças aos
exuberantes penteados em forma de coque – torna-se o ponto
máximo da sensualidade. Prova disso é que, enquanto
as gueixas valorizam essa parte do corpo, as mulheres mais recatadas
nem sequer a deixam à vista.
Pele de seda
A brancura e a maciez dessa pele tão feminina estão
diretamente relacionadas ao ofurô – os banhos de
imersão em tinas de madeira com sais, ervas e flores.
Segundo Adriana Arakake, proprietária da Oficina dos
Sentidos Manacá, o banho de saquê é um dos
mais tradicionais no Japão. “Ele ajuda a eliminar
toxinas e deixa a pele como uma seda”, diz Adriana.
Do arroz também vem a principal receita para o clareamento
da pele, e não precisa ser japonesa para desfrutar desse
cuidado. “Limpe o rosto com o sabonete específico
para sua pele, depois molhe-o com a primeira água resultante
da lavagem do arroz e deixe secar ao natural. Mas use apenas
grãos orgânicos, para evitar agrotóxicos”,
diz Adriana.
Segredos de gueixa
Hábitos como esses foram desembarcando no Ocidente ao
longo dos séculos. Uma pitada do japonismo, como ficou
conhecido o grande movimento de valorização da
cultura japonesa no fim do século 19, se deve à
gueixa Sada Yakko, a primeira a dançar em teatros nos
Estados Unidos e na Europa e a primeira a ser vista por Picasso
e Isadora Duncan, que se encantaram e se deixaram influenciar
pela gueixa. “Foi ela quem introduziu o quimono na Europa”,
conta Darci.
No século 20, o orientalismo ganhou um impulso extra
com os estilistas Issey Miyake, Kenzo e Yohji Yamamoto, que
foram para a Europa misturar a tradição nipônica
às idéias ocidentais. O primeiro valoriza os plissados,
como origamis. O segundo se destaca pela combinação
de estampas, as sobreposições, as roupas largas
e confortáveis, como batas e calças. Enquanto
Yamamoto ficou famoso pelas golas exuberantes. Daí para
frente o Oriente nunca mais saiu de moda e espalha delicadezas
por onde passa.
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O ideograma
desta página significa feminilidade. Este e os demais
foram escritos por Jo Takahashi, da Fundação
Japão. |
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Toalhas da Tok &
Stok, tamancos japoneses encontrados nas
lojas da Liberdade, bairro oriental de São Paulo,
e copo da Cor do Sol. |
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Vestido de seda de
Lino Villaventura. |
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Quimono e hashi (no
cabelo) da Cor do Sol. |
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Esteira importada do
Tsuruya No Futon e pratos de cerâmica para sushis
e sashimis de Nelise Ometto. |
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Banho de ofurô
da Clínica Luiza Sato.
O tradicional banho de saquê pode ser reproduzido
em casa, na banheira. Para 250 litros de água quente
(à temperatura de 39,5º C), despeje 2 litros da bebida
feita de arroz. Se quiser deixar o ritual ainda mais perfumado
e suave, acrescente cinco gotas de óleo essencial
de lavanda diluídas em uma xícara de mel. |
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Tigela de Cecília
Dale sobre bandeja da Cor do Sol. |
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Almofadas do Tsuruya
No Futon, bandeja de madeira da Agavee, panela de bambu
da Suxxar, pratinhos de palhinha e talheres de bambu da
Liberdade. |
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Futon e almofada da
Futon Company, revista de moda japonesa da Liberdade, faixa
(obi) da Cor do Sol e broche com nó típico
japonês da Montage. |
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Bandeja e minibandeja
de bambu da Agavee, com doces japoneses,
e copo e bule de cerâmica de Nelise Ometto. |
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Vestido de Lino Villaventura,
bandeja de chá da Agavee e luminárias de papel
do restaurante Nakombi. |
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Pratos, bowls e hashis
da Vieira Santos, porta-hashi da Agavee, tsurus (dobradura
de pássaros) de Keiko Abe, jogos americanos e vasos
de Cecília Dale e luminária de papel de arroz
da Futon Company. |
Texto: Kátia Stringueto
Reportagem Fotográfica: Camile Comandini
Fotos: Eduardo Girão
julhO 2004
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