
A fazendeira Cecilia posa com a búfala Donzela
em frente à sede, construída pelo bisavô
do marido, um carpinteiro italiano. |
NATUREZA
“Minha fazenda tem...”
...Búfalos. E não fica na
ilha de Marajó, tradicional reduto desses bichos no Brasil.
A fazendeira Maria Cecilia Almeida Prado iniciou sua criação
no interior de São Paulo e alimentou os quatro filhos
com o saudável leite do animal.
A rotina se repete todos os dias, bem cedo, na fazenda Rio Pardo,
em Bocaina, no interior de São Paulo. “Donzela,
Enfermeira, vem... Caxemir, Porquinha, apruma”, chama
o peão, conduzindo as búfalas para a ordenha.
Obedientes, elas vão entrando, uma a uma, nas baias.
Com seu leite fresco, muito nutritivo, a fazenda produz alvas
e saborosas mozarelas, de alta qualidade.
A fazendeira Maria Cecilia Almeida Prado começou a criação
desses animais quando seus quatro filhos eram pequenos. Foi
o marido, o cirurgião Renato Prado Costa, quem sugeriu
alimentar as crianças com o leite de búfala, muito
mais saudável do que o de vaca. Cecilia topou na hora
e comprou seis fêmeas e um macho.
Mais resistente do que a vaca, a búfala não precisa
tomar antibióticos, seu leite é mais rico em proteínas,
cálcio e fósforo, tem menos gordura e colesterol
e o dobro de ácido linoléico conjugado (CLA).
Essa substância tem comprovada ação anticancerígena
e atua também sobre os efeitos secundários da
obesidade, da arteriosclerose e do diabetes.
Quando os meninos cresceram, a produção leiteira
passou a ser usada na fabricação dos queijos tipo
mozarela, que Cecilia inicialmente presenteava à família
e aos amigos. Hoje, a produção é de 10
toneladas por mês, totalmente vendida para mercearias
e supermercados de luxo.
Pão quente e mozarela
Pela manhã, o cheiro do pão sendo assado no forno
se mistura ao da mozarela. A 300 km da capital paulista, a fazenda
pertence à familia há cinco gerações.
A imponente sede, com quartos amplos e pé-direito de
5 m, foi construída pelo bisavô de Renato, um talentoso
carpinteiro italiano que chegou ao Brasil com apenas 16 anos.
Quando ouviu falar da mágica terra roxa do interior de
São Paulo – onde se plantava café e se colhiam
verdadeiras fortunas –, o jovem desistiu de sua meta inicial
de chegar a Buenos Aires e saltou do navio em Santos. Pouco
tempo depois, comprou a fazenda em Bocaina, casou-se com a filha
do fazendeiro vizinho e, com ela, teve 13 filhos.
Meditação diária
Cecilia mantém seu escritório no porão,
que foi todo reformado e hoje abriga também três
quartos de hóspedes. Vegetariana, pratica meditação
há mais de 30 anos, seguindo os ensinamentos do mestre
indiano Paramahansa Yogananda. “Quando termino de meditar,
visualizo a luz divina envolvendo totalmente a fazenda, os trabalhadores
e as búfalas”, conta.
“Apesar da aparência selvagem, os búfalos
são muito dóceis”, explica a fazendeira.
Originários da Ásia, são considerados sagrados
pelos orientais, que os utilizam também como força
de trabalho nas plantações e no transporte. Montado
em um deles, o sábio Lao Tsé, fundador do taoísmo,
viajava pela China ensinando sua filosofia.
A ordenha das búfalas continua durante a tarde. Nas baias,
elas escutam Mozart, Bach, Beethoven... “Quando ouvem
música, elas produzem mais leite”, assegura Cecilia.
Quando o Sol vai se pondo, os animais são levados para
o pasto. Vão direto para a represa, onde mergulham a
ponto de ficar só com as narinas de fora da água.
Enquanto isso, na sede da fazenda, Cecilia e o marido se preparam
para o lanche. Sobre a mesa, estão amostras de mozarela
fresquíssima, que Cecilia faz questão de experimentar
todos os dias. “É o controle de qualidade”,
justifica, sorrindo.
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Os búfalos
se refrescam na represa da fazenda em Bocaina. |
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Com o leite das búfalas,
a fazenda produz artesanalmente saborosas mozarelas. A pequena
produção inicial, que era presenteada à
família e aos amigos, cresceu para 10 toneladas mensais,
que chegam às prateleiras das mercearias finas. |
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Mozarelas de búfala. |
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Apesar da aparência
selvagem, os búfalos são animais muito dóceis.
Na fazenda da Bocaina, a ordenha das fêmeas é
feita ao som de música clássica, que, segundo
os especialistas, estimula a produção do leite. |
Texto e Fotos: Claudio Edinger
julhO 2004
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