
Esperta nas misturas, Mikha também
contou com a ajuda do amigo e produtor Marcelo Lellis, que
deu alguns toques na decoração e presenteou-a
com o tapete que ele mesmo fez de retalhos de pelúcia,
comprados na rua 25 de Março, em São Paulo.
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HARMONIZAÇÃO
Com ousadia e sensibilidade
Coisas da vovó, ousadia nas cores
e muita originalidade se espalham por todos os cantos deste
apartamento em São Paulo, onde mora a designer gráfica
Mikha Seddig Jorge.
O resultado é a mistura elegante de muitos contrastes
curiosos e sensuais.
Adesigner gráfica paulistana Mikha Seddig Jorge, 29 anos,
não imaginava que montar seu primeiro apartamento fosse
revelar tantas coisas a respeito de si mesma e do seu jeito
próprio de ir combinando coisas muito distintas. “Nunca
tinha me dado conta de que gostava tanto de flores ao natural,
em objetos, em quadros, mas quando vi estavam por toda parte.
Ao longo de um ano, percorri lojas de móveis usados e
antigos. Assim descobri que estou mais ligada à estética
do passado do que à futurista. Acho lindo o estilo moderno
no apartamento dos outros, mas no meu tem de ser tudo arredondado,
orgânico, romântico, com toques muito femininos”,
diz Mikha. Talvez o zodíaco explique as bênçãos
da deusa Vênus, a do amor e da beleza, que rege os signos
de libra e touro, fortes na carta astrológica de Mikha:
“Como todo libriano, gosto dos contrastes. Ao mesmo tempo,
ouso nas cores (que, modéstia à parte, sei combinar
bem) e uso móveis sóbrios, como o sofá
de veludo, que agradaria a uma velhinha de 85 anos. Traz solidez
num contexto jovem, espontâneo, alegre”.
HUMOR E EROTISMO
“O quarto é bordô. Ao mesmo tempo tem o aconchego
uterino e a pulsação sensual”, define ela,
que não se acanha em admitir: “Tenho um pé
no cafona forte, o que torna a casa bem-humorada”. Mikha
passou cinco anos fora do Brasil. Morou na Alemanha e nos Estados
Unidos em apartamentos muito diferentes. De volta a São
Paulo, há quatro anos, passou oito meses em busca de
um apartamento que tivesse sua cara. Num prédio dos anos
40, encontrou o lugar amplo e iluminado com que sonhava, porém
era inabitável. O imóvel ficou fechado seis anos,
havia brocas e cupins por todos os cantos, umidade, sujeira
grossa e histórias assustadoras sobre os antigos moradores.
Mas nada disso afugentou a moça, que se encantou com
a possibilidade de reformar tudo. “A casa estava morta
e dei vida nova a ela. Sei que as coisas antigas têm história,
mas em vez de me preocupar com isso prefiro imprimir em cada
canto a minha energia e o meu amor, o que basta para neutralizar
as vibrações do passado. Eu e esse espaço
estamos sempre em transformação e isso me encanta”,
celebra Mikha.
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Luminárias |
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Coleção
de sabonetes |
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Bufê
antigo |
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Estante
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Lugar
de bem viver |
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Quarto |
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Fotos
antigas |
TEXTO: LILIANE ORAGGIO
REPORTAGEM FOTOGRÁFICA: GRAÇA SALLES
FOTOS: LUÍS GOMES
Abril
2003
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