
Em Parati, RJ, a mineira Valéria
de Menezes encontrou seu lugar no mundo. Ela desfruta a
alegria de viver e trabalhar entre o mar e a montanha, em
meio a árvores carregadas de frutas e plantas que
florescem o ano inteiro. |
JARDIM
"A natureza é nosso
quintal"
É um privilégio viver aqui,
ter tempo para ver minha filha crescer, colher fruta no pé,
prestar atenção nas cores da natureza, que mudam
segundo as estações”, orgulha-se Valéria
Andrade de Menezes, mineira de 43 anos que há 11 vive em
Parati, litoral do Rio de Janeiro. Lá, num lugar chamado
Sertão de Indaiatiba, cercado de mata atlântica,
ela administra ao lado do marido, o francês Olivier de Corta,
50 anos, uma pousada e um restaurante.
Valéria já morou na Bahia, em São Paulo e
na Itália, mas não troca Parati por nenhum lugar
no mundo. Abrir mão da vista para o mar e a montanha que
tem de seu quarto, nem pensar. “Para falar com Deus, é
só chegar à minha varanda. A natureza é nosso
jardim, nosso quintal”, afirma.
Goiaba dá que nem mato
Um quintal com árvores que dão jabuticaba, uvaia,
grumixama, jambo, lima-da-pérsia e maracujá, por
exemplo. “Goiabeiras e pitangueiras são que nem mato”,
garante Valéria. As frutas viram sucos, geléias
e ingredientes para os pratos do restaurante. Com cacau colhido
do pé, Valéria faz bolo de chocolate, em cuja cobertura
pode-se sentir os pedacinhos crocantes das sementes moídas.
Também estão plantados ali 4 mil pés de palmito,
intocados. “Não cortamos de jeito nenhum. Para servir,
compramos palmitos ecológicos”, frisa. “Aqui
chove o ano inteiro, e as plantas estão sempre viçosas.
O tempo todo, sempre há flor”, continua Valéria.
“Não temos jardim planejado, certinho. Deixamos reinar
um pouco o caos da mata. Você coloca uma bromélia
numa pedra, ao lado uma orquídea, nasce espontaneamente
uma samambaia, e assim por diante.” Olivier estudou culinária
na França e Valéria tem a cozinha no sangue: seu
pai, sua mãe e sua avó eram de forno e fogão.
Da soma da técnica francesa com a originalidade brasileira,
nascem pratos exóticos, como o risoto de pitanga ou o ravióli
de taioba (uma verdura pouco conhecida). Valéria conta
que conheceu Olivier há 11 anos e hoje vive com ele um
relacionamento “intenso, juntos 24 horas por dia”.
Têm uma filha, Jade, de 2 anos e meio. “Ela adora
mato, cachoeira, conhece as flores e os pés de fruta e
não tem medo de sapo, de bicho nenhum. Sou mais medrosa
do que ela”, diz, brincando. A seguir, veja a receita de
uma das especialidades desta casa.
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Com
os pés no chão |
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Mata
nativa |
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Deque |
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Quarto |
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Cozinheira
de mão cheia |
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Ceviche
à moda do Gite |
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Sala |
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Varanda |
TEXTO: WILSON F. D. WEIGL REPORTAGEM
FOTOGRÁFICA: GRAÇA SALLES FOTOS: LUIS GOMES
Março 2003
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