
Brahma, Vishnu e Shiva, os três
deuses supremos indianos, formam a trindade sagrada que,
para os seguidores da religião hinduísta,
sustenta o Universo. Conheça a força e o significado
dessas divindades. |
ESPIRITUALIDADE
Senhores do Universo
Os hindus atribuem o ritmo do cosmo a um
eterno ciclo de criação, preservação
e destruição. Simbolizando cada uma das etapas
estão seus deuses supremos, Brahma, Vishnu e Shiva. Essa
trindade, chamada Trimurti, representa duas forças antagônicas
e uma harmonizadora. Enquanto dois deles figuram pólos
opostos – Vishnu, a luz e a vida, e Shiva, as trevas e
a aniquilação –, Brahma aparece como o equilíbrio
e a união desses contrários. “É um
ciclo constante e infinito: Brahma cria o universo, Vishnu o
conserva e Shiva o destrói”, explica a monja Sundari
Shakti, fundadora do Instituto de Cultura Indiana, em São
Paulo.
Uma das religiões mais antigas do mundo, o hinduísmo
é adotado por cerca de 800 milhões de fiéis,
praticamente todos indianos. Seus deuses podem ser contados
às centenas. Acima de tudo, acreditam que há uma
força única que seja a origem de tudo –
Brahman. Unir-se a esse espírito absoluto é a
meta depois de várias reencarnações, ao
final de sucessivas mortes e renascimentos.
Consideram que os seres humanos são parte integrante
de Deus, que está em cada ser vivo como alma eterna –
atman. “Para os hinduístas, existe um Deus em tudo
e em todos”, observa a professora Louris Bechara Esper,
que dá aulas sobre religiões comparadas na Escola
Karikat Yoga, de São Paulo. Uma referência à
presença divina em todas as pessoas é a saudação
namastê, que significa “o Deus que existe em mim
saúda o Deus que existe em você”.
Em pinturas e esculturas, Vishnu e Shiva aparecem de várias
formas, enquanto Brahma não costuma ser representado.
Cada um tem uma contraparte feminina, na figura de suas esposas,
que também podem assumir diversas aparências, personalidades
e significados.
Brahma, o criador
Considerado o deus supremo, Brahma surgiu,
segundo os hinduístas, como encarnação
do espírito universal Brahman. Praticamente não
é cultuado hoje, por ser “uma força tão
sutil que nem consegue ser imaginada por quem não tem
elevação espiritual”, segundo a professora
Louris Esper. Brahma é representado com quatro cabeças,
que fazem referência aos quatro pontos cardeais. Com a
diminuição de seu culto, Vishnu e Shiva tornaram-se
as duas principais divindades do hinduísmo atual. O contraponto
feminino de Brahma aparece como sua esposa, Sarasvati, deusa
das artes e criadora do sânscrito, a língua das
escrituras sagradas hindus. Os fiéis dedicam a ela um
festival na primavera, o Vasant Panchami.
 |
Vishnu,
o preservador |
 |
Shiva,
o destruidor |
TEXTO: EDUARDO ARAIA
ILUSTRAÇÕES: IONIT ZILBERMAN
Março 2003
VEJA MAIS SOBRE ESTE ASSUNTO
|