As canções que nos emocionam e
nos fazem cantar, dançar e até chorar percorrem um intrincado caminho – desde as caixas acústicas até nosso cérebro. Tudo acontece graças ao nosso sofisticado sistema auditivo, capaz de captar com precisão toda a riqueza dos sons.
AUTO CONHECIMENTO

Música para os ouvidos

Da caixinha de música que embala o sono de um bebê à batida eletrônica que estremece as paredes de um clube noturno, da bateria da escola de samba à cítara que faz fundo para uma sessão de meditação, tudo é música para nossos ouvidos. Música que transforma o estado de espírito, acalma, empolga, relaxa ou agita, entristece ou incomoda. Nenhuma canção seria capaz de nos tocar o coração e trazer alegria, melancolia ou tranqüilidade se, para isso, não contássemos com um mecanismo tão perfeito quanto a audição, que capta as informações sonoras e as leva até o cérebro, onde são decodificadas. Com sua extraordinária capacidade de captar e distinguir sons, nossos ouvidos ganham com o aperfeiçoamento dos equipamentos de áudio, cuja qualidade de reprodução é cada vez mais fiel à música executada ao vivo.

Vibrações sonoras no ar
Como quaisquer outros sons, as músicas são movimentos de energia que os ouvidos captam e enviam ao cérebro, onde são processados. Esses sons devem, ainda, estar organizados e harmonizados numa seqüência: a melodia. “Nosso cérebro é que cria a música”, explica Lilian Seligman Graciolli, fonoaudióloga e professora da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul. “Só depois de serem processados por nossa memória cerebral é que esses dados são entendidos como sons musicais.”

“A forma como a música mexe conosco varia segundo nosso gosto, sensibilidade, cultura, nível de informação e estado de humor”, continua Lilian. “Hoje, podemos gostar de uma canção e detestá-la daqui a meses.”

Entretanto, muitas pessoas podem experimentar simultaneamente uma mesma sensação influenciada pela canção. As batidas hipnóticas da música eletrônica, por exemplo, podem levar os freqüentadores de uma festa rave quase ao estado de transe, não muito diferente do provocado pelos tambores rituais numa tribo indígena. “O DJ é um maestro, que orquestra a emoção das pessoas”, conta o DJ Felipe Venancio, de São Paulo. “Se noto que na pista de dança há pessoas que aparentam se sentir sozinhas, mudo o clima musical para algo mais intimista, como se eu estivesse tocando só para elas em suas casas.”

Ouvido afinado
Os músicos têm, em maior ou menor grau, ouvidos educados para distinguir nuances sonoras: é o chamado ouvido musical. Na verdade, qualquer um pode apresentar essa capacidade – alguém afinado, ou que ouve uma canção uma única vez e já consegue memorizar e reproduzir a melodia. No caso dos músicos, estudo e treino costumam aprimorá-la. “Quem possui formação musical tem uma percepção mais apurada da harmonia, dos detalhes sonoros de vozes e instrumentos”, explica Emiliano Patarra, maestro e professor de regência da Faculdade Santa Marcelina, de São Paulo.

Nossos ouvidos também são omnidirecionais, ou seja, captam sons vindos de todas as direções, em 360 graus. “Somos capazes de distinguir perfeitamente de onde vêm os ruídos, de acordo com a direção e a distância da fonte sonora”, diz Josias de Moraes Cordeiro, projetista de sistemas de áudio, vídeo e automação e diretor do Josias Studio, de São Paulo. “E os aparelhos eletrônicos ficam cada vez melhores, ganham qualidade sonora à altura da perfeição do sistema auditivo.”

Envolvimento total
Essa evolução pode ser notada na área de home theaters (sistemas de cinema em casa), que já proporcionam a sensação de tridimensionalidade. Os equipamentos domésticos mais modernos dispõem de cinco caixas acústicas, localizadas à frente, ao lado e atrás do espectador, que, como no cinema, fazem o efeito surround (cercar, em inglês). “Ao assistir o DVD de um show ou de uma ópera, temos a impressão de estar na platéia, ao vivo”, afirma Josias Cordeiro.
Nessa evolução, os sons que saem das caixas acústicas estão cada vez mais próximos aos produzidos por cordas, teclados e gargantas. “A meta é fazer os aparelhos atingirem uma qualidade de reprodução sonora similar à da música ao vivo”, garante Hélio Bork, diretor da Bang & Olufssen, que fabrica equipamentos de áudio e vídeo. Na sede da empresa, na Dinamarca, conta Bork, pesquisadores ficam em ambientes fechados e têm de distinguir se uma música é executada ao vivo ou reproduzida por aparelhos. Tudo isso para aumentar nosso prazer de escutar música, cada vez mais e melhor. Os ouvidos agradecem.


Incríveis processadores de sons
Na evolução da espécie humana, o ouvido originalmente se desenvolveu para se adaptar à natureza. “A audição apurada era fundamental para a sobrevivência do homem primitivo, que caçava e vivia nas florestas. Além de ajudar a perceber os movimentos dos animais, o ouvido proporcionava o sentido de direção”, explica Arnaldo Guilherme, otorrinolaringologista e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Hoje, o homem produz sons que superam os ruídos mais altos da natureza (uma cachoeira, um trovão ou a erupção de um vulcão, por exemplo) e provocam danos ao delicado sistema auditivo. “O zumbido nos ouvidos provocado por exposição a sons muito altos é sinal de que células auditivas morreram ou sofreram danos. Nascemos com algumas centenas de milhões dessas células, e esse estoque não é renovado ao longo da vida”, alerta o médico. Por isso, evite permanecer muito tempo em ambientes com altos níveis de ruído, como discotecas, ou abusar do volume nos fones de ouvido.


Viagem sonora



TEXTO: WILSON F. D. WEIGL

Março 2003

VEJA MAIS SOBRE ESTE ASSUNTO




ANUNCIE | MAPA DO SITE | DÚVIDAS | EXPEDIENTE | NAS BANCAS | FALE CONOSCO | NEWSLETTER | LOJA ABRIL

Copyright © 2007 Editora Abril S.A. Todos os direitos reservados
Dúvidas sobre senhas e acesso ao site, veja aqui.
Para comunicar erros no site, por favor entre em contato.
Sugestões de pautas ou dúvidas sobre reportagens, por favor envie um email