BEM-ESTAR
Todas as respostas estão dentro de você


Antes de pedir a opinião de alguém ou consultar oráculos e videntes para descobrir a solução para seus problemas, faça uma pausa e ouça o que seu coração tem a dizer. Acredite, a clareza nasce da busca interior.

Como todo mundo, você experimenta dificuldades, dúvidas e incertezas e nem sempre está seguro sobre o melhor caminho para encontrar o amor, a felicidade e a prosperidade. Mas já parou para pensar que as respostas que procura podem estar dentro de você? Sim, quem se conhece sabe o que é melhor para si. Mas, diante das dificuldades, às vezes temos o impulso de recorrer a fontes externas, opiniões alheias, oráculos. Porém isso de nada adianta se não paramos para entender como funcionam nossos sentimentos, desejos e padrões de comportamento. Todos nós guardamos uma centelha divina: é aquela parte do ser que sabe intuitivamente quem você é, qual seu destino e os caminhos que levam à realização pessoal. "Cada um dá nome a essa centelha segundo sua crença. Pode ser Deus, eu superior ou anjo da guarda", diz Vera Lúcia Couto, terapeuta junguiana e coordenadora de grupos de estudos de mitologia grega, de São Paulo. Quem se conecta a essa energia encontra dentro de si um rico potencial de autodescoberta, que leva a tomar atitudes mais equilibradas. O resultado é o bem-estar físico, emocional e mental e a capacidade de auto-cura dos males do corpo e da alma.

As religiões pregam a necessidade desse mergulho interior - "Aquele que conhece a si mesmo conhece o senhor", diz o islamismo; "Olha para dentro de ti, tu és o Buda", fala o budismo -, mas a maioria das pessoas procura fora de si as soluções para os problemas e as dificuldades, recorrendo a oráculos como o tarô ou o horóscopo como se fossem simples jogos de adivinhação. Antes de serem meios de prever o futuro, eles são instrumentos de autoconhecimento, pois sua rica simbologia abrange todos os aspectos da vida. "Nos ajudam a entender as leis cósmicas e a entrar em contato com nossa essência, revelando respostas que já estão dentro de nós", diz Ana Maria Corrêa, taróloga e quiromante, de São Paulo.

No templo do deus Apolo em Delfos, construído no século VII a.C., na Grécia, onde existia um dos mais famosos oráculos da antigüidade, até hoje pode ser vista a inscrição "conhece-te a ti mesmo e conhecerás o Universo e os deuses" (frase imortalizada pelo filósofo Sócrates 469-399 a.C.). Esse aviso era uma advertência para o visitante que se consultava com a pitonisa (a sacerdotisa que recebia as mensagens de Apolo durante um estado de transe): quem queria conhecer os desígnios dos deuses deveria começar a procura dentro de si. Curioso é que as respostas da pitonisa eram ambíguas, repletas de metáforas e quase sempre ininteligíveis, e um outro sacerdote tinha a função de traduzir e explicar os significados para quem se consultava. Como os sacerdotes de Delfos, tarólogos e astrólogos interpretam as linguagens simbólicas e chegam às respostas que o consulente não consegue encontrar dentro de si mesmo, por estar enredado na situação ou por não querer enxergar a realidade. "Mas não basta conhecer o significado dos símbolos. É preciso usar a intuição e o sexto sentido", afirma a taróloga Ana Maria Corrêa. Às vezes recorre-se até a faculdades especiais, como o dom da vidência ou, da mesma forma que a antiga pitonisa, ao estado de transe, como fazem os pais-de-santo da umbanda e do candomblé.

A interpretação da resposta é fundamental, pois nada nos oráculos é totalmente bom ou ruim. Na astrologia, os 12 signos apresentam qualidades e defeitos na mesma proporção, enquanto no tarô uma mesma carta possui significados positivos e negativos. O sol, por exemplo, simboliza brilho e destaque, mas também sugere egoísmo e orgulho exagerados. Mesmo a temida carta da Morte, a de número 13, costuma indicar não o fim da vida, mas uma transformação radical ou o desfecho de uma situação, não necessariamente difícil ou ruim. Com os oráculos disponíveis inclusive pelo telefone ou pela internet, corre-se o risco de querer encurtar o caminho e recorrer a eles em busca de respostas prontas. "Muita gente quer se desobrigar da tarefa de refletir sobre suas questões e acha que o oráculo tem de mostrar como solucionar rapidamente o problema", lamenta a terapeuta Vera Couto. "Há quem considere mais cômodo perguntar ao tarô, por exemplo, se vai continuar no emprego do que avaliar seu desempenho no trabalho e o relacionamento com os chefes e colegas. E isso não adianta", conclui.


Texto: Wilson F. de Weigel
Reportagem Fotográfica: Ana Paula Lopes
Fotos: Luis Gomes



Julho 2002

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