|
BEM-ESTAR
Está na mesa
Na hora das refeições, prefira um
ambiente tranqüilo e boas conversas. Sua saúde e sua disposição
dependem basicamente do que e de como você se alimenta.
Além da comida, faz diferença conhecer as propriedades de
alguns alimentos e um pouco dos princípios da nutrição.
|
Uma refeição realmente nutritiva e revitalizante
vai além do prato farto, da barriga cheia e da manutenção da
vida. Conhecer as propriedades dos alimentos e ter noção das
necessidades do seu próprio corpo e das emoções que imperam
enquanto você come são alguns dos toques de consciência que
podem mudar sua alimentação para melhor. Afinal, o que é melhor
neste terreno?
A resposta é a seguinte: não existe regra
como também não há dieta adequada para todo o mundo. Pelo menos
é o que garantem os especialistas no assunto. "O metabolismo
é algo tão individual quanto a impressão digital. Por isso,
a alimentação é única", afirma o médico paulista Luiz Fernando
Carvalho, adepto da antroposofia, ciência espiritual fundamentada
pelo médico austríaco Rudolf Steiner, no começo deste século.
Com isso concorda o médico Paulo Eiró Gonsalves,
de São Paulo, autor de vários livros sobre alimentação. "A pessoa
deve conhecer e experimentar dietas de várias escolas. Depois
de escolher, o ideal é mudar aos poucos, sem radicalismos",
orienta.
"A alimentação natural e equilibrada é
a base da boa saúde", afirma o médico Luiz Fernando, que, com
25 anos de profissão, ensina como obedecer ao ritmo do corpo
e favorecer o aproveitamento dos nutrientes: "O fígado e a vesícula
metabolizam muito bem proteínas (carne, leite, queijo) e gorduras
das 3 horas da manhã às 3 da tarde. Das 3 horas da tarde às
3 da manhã, o organismo digere melhor carboidratos (pães, doces,
bolachas). Assim o organismo funciona com menos esforço e obtém
mais resultados".
Quem praticou essa regra básica sentiu
a diferença e foi além. Maria Lúcia Pereira de Queiroz, a Maucha,
procurava um clínico geral para a família e encontrou Luiz Fernando.
Na época (há quase vinte anos), os filhos, Isabel, João e Francisco,
eram crianças já com gostos definidos. Para conquistar marido
e filhos com uma alimentação natural, ela usou criatividade
e talento no preparo de pratos que, além de saudáveis, eram
gostosos e fáceis de fazer. As receitas até viraram um livro
- Nova Cozinha Natural - Fácil e Gostosa, da editora Harmonia,
com várias edições esgotadas. "É possível ter uma alimentação
saudável na rotina e não precisa ser algo rígido, sem paladar,
extremamente trabalhoso", completa Maucha. Em pouco tempo, a
família assimilou os novos hábitos e sentiu seus efeitos na
saúde: "Bel tinha asma e não tem mais. João era o mais resistente
(adorava carne) e hoje é o mais preocupado com uma alimentação
saudável", constata ela.
Além do preparo da comida, ela leva em
conta outros fatores: "No momento da refeição você vai atrás
do prazer e do que precisa no dia. Quando como mais devagar,
prestando mais atenção, sem ansiedade, não engordo", ensina
Maucha.
E não é apenas o alimento que realiza a
tarefa de nutrir o corpo. Para o médico Luiz Fernando, o estado
de espírito também é fundamental: "O alimento em si tem valor
biológico, nutritivo. Mas é apenas um dos elementos. O outro
é você. O que interessa é a interação entre você naquele momento
e o alimento. O estado de espírito também é responsável pela
mudança. Não existe nada que seja sempre bom ou sempre ruim.
Existe a sua alimentação". E, então, como descobri-la? Luiz
Fernando resume: "Respeitando o ritmo biológico e observando
como o corpo responde".
Texto: Liliane Oraggio
Reportagem: Ivany Turíbio
Reportagem Fotográfica: Célia Weiss
Fotos: João Ávila
|