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ESPIRITUALIDADE
Semana Santa: dias de fé
Em Ouro Preto, crianças vestidas de
anjos enfeitam as antigas ruas da cidade. Anjos inocentes
de pele morena. Mulheres de preto, corações pesarosos. Ruas
de pedras históricas, tapetes de serragem e flores, barulho
ensurdecedor de matracas. Cadência de procissão, cantos
de tristes verônicas, noites de velas e fogaréus. Assim
homens, mulheres e crianças católicos de várias partes do
país vivem sua fé, bem brasileira, nos dias sagrados da
Semana Santa. |
As máquinas de costura de Ouro Preto, Diamantina
e Caetés não param até que todos seus mineiros anjos estejam
vestidos. Túnicas de cetim de algodão ou morim barato, auréolas
de estrelas prateadas, asas de papelão e brancas penas cumprem
promessas, seguem tradições, alegram o coração de prestimosas
mães costureiras.
Outras mulheres dedicadas preparam o tapete
de serragem colorida, bordado de corações eucarísticos, cruzes
floridas, pombas feitas com pétalas de jasmim. Nas igrejas ensaiam-se
cantos. Nos grupos folclóricos, dança-se, ingênua herança de
escravos, e repassam-se os diálogos vigorosos da encenação da
Paixão de Cristo.
Nas cozinhas, sente-se o perfume de doces
em calda, sequilhos, brevidades e goiabadas de tacho, oferecidos
depois da procissão. Engomam-se as brancas toalhas de renda
jogadas nas janelas. Compra-se o peixe da sexta-feira e marca-se
a última prova do vestido novo de domingo.
Mariana, Congonhas do Campo, Tiradentes...
As cidades de Minas Gerais e do resto do Brasil preparam-se
para suas procissões, encenações e missas. Irmanam-se na dor
da paixão e na alegria da ressurreição de Jesus Cristo. Começam
assim as festas religiosas da Semana Santa.
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Texto: Liane Camargo de Almeida
Alves
Reportagem: Priscila Gorzoni
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