Toda semana, você confere na coluna Voadeira os textos da jornalista Carol Costa. Por que Voadeira? "A voadeira (um tipo de barco) tem um pouco cara de roça, de alçar vôos particulares, de coisas simples que serão a pegada da coluna", responde ela.

A vida íntima das palavras
Bibliotecas sempre foram, para mim, lugares acolhedores. Ainda criança, lembro com carinho das horas em que passei sob o silêncio da pesadas estantes da pequena biblioteca da minha escola. Lia tudo o que estava ao alcance, mas tinha adoração por um livro fininho e cheio de ilustrações chamado O Corcel Negro, uma das muitas versões do conto de Walter Farley sobre um cavalo alazão que sonha com a liberdade.

Li e reli esse livro dezenas de vezes. Não sei o que procurava, mas cada nova leitura me parecia diferente da anterior — eu notava uma sombra aquarelada que não tinha reparado antes, me detia numa frase bonita ou numa palavra nova qualquer. Naquela época, a literatura era um mundo inacessível para criancinhas de cinco anos como eu então tinha.

“Vocês podiam avançá-la de ano”, sugeriu a diretora da escola assim que soube que eu já sabia ler, escrever e fazer contas. Minha mãe não deixou. Fez bem. Eu já era a menor da minha classe, teria sido massacrada entre os alunos maiores e mais velhos. Com a negativa de minha mãe, a diretora não teve outra escolha senão me separar das outras crianças: passei toda a primeira série lendo. Sozinha. Em silêncio.

Foi lindo.
Por Carol Costa - 18/08/2008 comentários: 13

Botou as mãos sujas de nanquim numa redação, em 1997, aos 17 anos.
Nunca mais saiu. Ou melhor, sai, periodicamente, para fazer reportagens, ir às aulas de dança, voar no trapézio, manter um blog e escrever para a
Bons Fluidos.

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